《Sense Atividade》
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Espiritualidade, atendimentos em cartomancia, esoterismo, astrologia, mediunidade, quântica, filosofia de vida e etc.

Nascido em 27 de janeiro de 2017.

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Vanessa
Maria T
Filipe Albani

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Hierarquia

As posições principais do Ketu (são chamados de cargo ou posto: em yoruba, Olóyès, Ogãns e Àjòiès), em termos de autoridade, são:
O cargo de autoridade máxima dentro de uma casa de candomblé é o de Babalorixá (pai de santo). São pessoas escolhidas pelos Orixás para ocupar esse posto. São sacerdotes, que após muitos anos de estudo adquiriram o conhecimento para tal função e são as únicas autoridades que podem abrir uma casa ou terreiro de candomblé.Alem do Babalorixa existe o cargo maximo que e do Babalodum, quando um filho de orixa maximo, ou seja Olisa Osala Giyan Ejonile Egbe [Oxaguian], que hoje e ocupado pelo sacerdote Pai menino do Oxala [Paulo Ricardo da Silva Branco]. Este por sua vez assumiu o cargo de imperador do Afonja aos 16 anos de idade, mostrando maturidade suficiente e criando admiracao entre os mais de 50 mil filhos de santo.Um Babalodum e um sacerdote que no caso especifico de pai menino e da quarta hierarquia, significando que detem o axe de cura e da visao, alem de ter que cumprir uma missao ja pre estabelecida ha mais de 5 mil anos pelo povo Yoruba/Nago ainda na Africa. Pai menino encontra-se em missao em busca da Yialodum, que segundo a lenda Yoruba seria uma filha de Oxum Opara, que teria dois filhos que seria um deles, o proximo e ultimo babalodum, antes da volta de Oxala e de todos os Orixas ao aye(terra). Quando a pessoa escolhida através do jogo de búzios ainda não está preparada para assumir o posto, terá que ser assistida por todos os Egbomis (meu irmão mais velho) da casa para obter o conhecimento necessário.

Iyalorixá ou Babalorixá: A palavra iyá do yoruba significa mãe, babá significa pai.

Iyakekerê (mulher): mãe pequena, segunda sacerdotisa.

Babakekerê (homem): pai pequeno, segundo sacerdote.

Iyalaxé (mulher): cuida dos objetos rituais.

Ojubonã ou Agibonã: mãe criadeira, supervisiona e ajuda na iniciação

Egbomis: são pessoas que já cumpriram o período de sete anos da iniciação (significado: egbon mi, "meu irmão mais velho").

Ogãs ou Ogans: tocadores de atabaques (não entram em transe).

Axogun: responsável pelo sacrifício dos animais (não entra em transe).

Alagbê: responsável pelos atabaques e pelos toques (não entra em transe).

Ajoiê ou ekedi: camareira do Orixá (não entra em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Gantois, de "Iyárobá" e na Angola, é chamada de "makota de angúzo". "Ekedi" é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil.

Iyabassê: mulher responsável pela preparação das comidas de santo

Iaô: filha(o) de santo que já entra em transe.

Abiã ou abian: novato.

Fonte: http://bit.ly/2KSxQaP
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 56
Assunto: Tambor de Mina

Tambor de Mina é a denominação mais difundida das religiões Afro-brasileiras no Maranhão, Piauí, Pará e na Amazônia. A palavra tambor deriva da importância do instrumento nos rituais de culto. Mina deriva de negro-mina, de São Jorge da Mina, denominação dada aos escravos procedentes da “costa situada a leste do Castelo de São Jorge da Mina” (Verger, 1987: 12) , no atual República do Gana, trazidos da região das hoje Repúblicas do Togo, Benin e da Nigéria, que eram conhecidos principalmente como negros mina-jejes e mina-nagôs.
O Maranhão foi importante núcleo atração de mão de obra africana, sobretudo durante o último século do tráfico de escravos para o Brasil (1750-1850), e que se concentrou na Capital, no Vale do Itapecuru e na Baixada Maranhense, regiões onde havia grandes plantações de algodão e cana-de-açúcar, que contribuíram para tornar São Luís e Alcântara cidades famosas entre outros aspectos, pela grandiosidade dos sobradões coloniais, construídos com mão de obra escrava e pela harmonia, beleza e coreografia das músicas de origem africana.
Culto

Como as demais religiões de origem africana no Brasil (Candomblé, Xangô, Xambá, Batuque, Toré, Jarê e outras), o tambor de mina se caracteriza por ser religião iniciática e de transe ou possessão. No tambor de mina mais tradicional a iniciação é demorada, não havendo cerimônias públicas de saída, sendo realizada com grande discrição no recinto dos terreiros e poucas pessoas recebem os graus mais elevados ou a iniciação completa.
A discrição no transe e no comportamento em geral é uma características marcante do tambor de mina, considerado por muitos como uma maçonaria de negros, pois apresenta características de sociedades secretas. Nos recintos mais sagrados do culto (peji em nagô, ou côme em jeje), penetram apenas os iniciados mais graduados.
O transe no tambor de mina é muito discreto e às vezes percebível apenas por pequenos detalhes da vestimenta. Em muitas casas, no início do transe, a entidade dá muitas voltas ao redor de si mesmo, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio, talvez para firmar o transe, numa dança de bonito efeito visual. Normalmente a pessoa quando entra em transe recebe um símbolo, como uma toalha branca amarrada na cintura ou um lenço, denominado pana, enrolado na mão ou no braço.
No Tambor de Mina, cerca de noventa por cento dos participantes do culto são do sexo feminino e por isso, alguns falam num matriarcado nesta religião. Os homens desempenham principalmente a função de tocadores de tambores, isto é, abatás, daí a definição abatazeiros, também se encarregam de certas atividades do culto, como matança de animais de 4 patas e do transporte de certas obrigações para o local em que devem ser depositados. Algumas casas são dirigidas por homens e possuem maior presença de homens, que podem ser encontrados inclusive entrando em transe e sendo possuído por uma entidade.
Existem dois modelos principais de tambor de mina no Maranhão: o jeje e o nagô. O primeiro parece ser o mais antigo e se estabeleceu em torno da Casa Grande das Minas Jeje, mais conhecida como Casa das Minas (Querebentã de Tói Zomadônu), o terreiro mais antigo, que deve ter sido fundado em São Luís na década de 1840. O outro, que lhe é quase contemporâneo e que também se continua até hoje se estabeleceu em torno da Casa de Nagô. A Casa das Minas e a Casa de Nagô localizam-se no mesmo bairro (São Pantaleão) a uma quadra de distância.
A Casa das Minas é única, não possui casas que lhe sejam filiadas, daí porque nenhuma outra siga completamente seu estilo. Nesta casa os cânticos são em língua jeje (Ewê-Fon) e só se recebem divindades denominadas de voduns, mas apesar dela não ter casas filiadas, o modelo do culto do Tambor de Mina é grandemente influenciado pela Casa das Minas.
A Casa de Nagô cultua voduns, orixás e encantados (gentis ou caboclos, que são espíritos de reis, nobres, índios, turcos etc.). O modelo de culto desta casa deu origem a diversos terreiros que se espalharam pela capital e interior do estado.
Nos terreiros de Tambor de Mina é comum a realização de festas e folguedos da cultura popular maranhense que às vezes são solicitadas por entidades espirituais que gostam delas, como a do Festa do Divino Espírito Santo, Queimação de Palhinhas, o Bumba-meu-boi, o Tambor de Crioula e outras. É comum também outros grupos que organizam tais atividades irem dançar nos terreiros de mina para homenagear o dono da casa, as vodúnsis e para pedir proteção às entidades espirituais para suas brincadeiras. Sérgio Ferretti: "No Tambor de mina do Maranhão pouco se fala em Oxum, Oiá e Obá, conhecidas nos terreiros influenciados pelo candomblé. Os orixás e voduns se agrupam em famílias ou panteões."
Casas de Culto em São Luís

Casa das Minas (Querebentã de Tói Zomadônu) - fundada em meados do século XIX por Maria Jesuína. Segundo Pierre Verger, Maria Jesuína era na verdade a Rainha Nã Agotimé, da família real de Abomey, esposa do rei Agonglô, mãe do rei Guezô do Daomé, trazida como escrava para o Brasil. A casa dedica-se ao culto jeje dos voduns, que estão organizados por clãs, a saber: Davice que é a principal, hospedando as demais: Dambirá (Damballah), Quevioçô (Heviossô), Aladanu e Savalunu. É considerada a mais antiga casa de tambor de mina no Maranhão, localizada à rua de São Pantaleão, no centro histórico de São Luís. A casa é sempre liderada por mulheres e algumas de suas líderes, alcançaram grande renome como Mãe Andressa Maria de Tói Poliboji e Dona Amélia de Tói Doçú-Bogueçagajá que muito contribuíram para o reconhecimento de sua identidade daomeana. Ao que parece, apesar de sua grande representatividade cultural, o culto aos voduns na Casa das Minas desapareceu com o falecimento da última vodúnsi, Dona Deni de Tói Lepon (que chefiava a casa desde a morte de Dona Amélia em 1997), em 8 de fevereiro de 2015.
Casa de Nagô (Nagon Abioton) - fundada por Josefa (Zefa de Nagô) e Maria Joana Travassos, africanas de tradição yourubá, mais precisamente, de Abeokuta, deu origem a outros terreiros de São Luís. Nessa casa são cultuadas as divindades africanas dos nagôs (iorubás) como: Logunedé, Averequete, Yewá, Obaluaiyê, Nanã, Ogum, Xangô, Iemanjá, Orixalá, Iansã, dentre outros e as entidades/encantados (espíritos de pessoas), que são chamadas de gentis (se forem de origem europeia) ou de caboclas (se forem de origem nativa ou não, como os "turcos", reis mouros) como: Dom Luís Rei de França, Dom João, Dom Floriano, Dom Sebastião, Seu Zezinho de Amaramadã, Rei da Turquia, Seu Ricardino, Seu Caboclo Velho, Princesa do Ouro, Seu Guerreiro, Dona Mariana, Seu Légua Boji, Seu João da Mata e muitos outros. Segundo relatos, foi fundada à época de D. Pedro II por malungos africanos "de Nação", ajudados pela fundadora da Casa das Minas. Localizada na Rua das Crioulas, no centro histórico de São Luís, a Casa de Nagô é considerada irmã da Casa das Minas, que juntamente com esta influenciou os demais terreiros de São Luís.
Outros terreiros antigos merecem ser lembrados:

o Terreiro de Belém, de Severa Soeiro, mais conhecida como Vó Severa, africana de nação Cambinda, que veio de São Bento para São Luís na companhia de seu senhor de escravos. Teve seu aprendizado na Casa de Nagô e foi a terceira africana a abrir casa no Maranhão. Faleceu em 14 de julho de 1937. Após sua morte, o terreiro entrou em declínio e se extinguiu no fim da década de 60;

o Terreiro Fé em Deus, de Maximiana, consagrado ao vodum Tói Dadarrô, a princípio foi sediado no bairro do João Paulo e depois no Angelim, onde ficou até se extinguir. É sabido que Maximiana manteve fortes ligações com os terreiros de Codó, mas não se sabe ao certo onde foi iniciada. Apesar de estar extinto atualmente, o terreiro foi documentado pela Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade em 1938, eternizando-o através dos registros audiovisuais;

o Terreiro de São Benedito, fundado em 10 de agosto de 1896, por Maria Cristina, vodunsi da Casa de Nagô. Consagrado ao vodum Tói Averequête é a terceira mais antiga casa de culto afro de São Luís que permanece em funcionamento até hoje. É chefiado por Dona Mundica Estrela, está sediado desde sua fundação na localidade conhecida por Sítio Justino na Vila Embratel;

o de Nhá Maria Alice (Alice Cruz), vodunsi da Casa de Nagô. O terreiro já extinto era de nação felupe ou fulupa e funcionava no Sacavém;

o de Rosa Guarda-Mor;

o de Manoel Teu Santo. Manoel Zeferino dos Santos (Teu Santo) era um nigeriano escravizado e que fundou um terreiro que funcionava na Rua do Passeio, Centro de São Luís, até final do século XIX. Manoel Teu Santo é o primeiro sacerdote da historiografia do tambor de mina, uma religião predominantemente matriarcal. Seu nome aparece várias vezes no noticiário local entre 1896 e 1898, sendo referido de modo depreciativ
o como 'taumaturgo' e 'chefe supremo da pajelança'. O terreiro foi alvo de várias investidas da polícia, tendo seus pertences religiosos apreendidos e seu líder preso. O terreiro de Manoel, diferente de outras casas é referido, como sendo o primeiro a promover sessões de cura ou pajelança, mesclando o culto africano ao culto ameríndio. Manoel ficou afamado por promover sessões milagrosas e por isso, talvez, tenha sido perseguido já que as outras casas, temendo a perseguição policial, disfarçavam o culto sob o manto da devoção católica, sobretudo a Santa Bárbara e São Sebastião. O terreiro de Manoel Teu Santo deu origem ao

Terreiro de Kota do Barão (de tradição cambinda) e ao

Terreiro da Turquia (Nifé Olorum), de nação Tapa (nupe), fundado a 23 de junho de 1889, por Mãe Anastácia Lúcia dos Santos (Akisi Obenan);

Terreiro de Manuel Colasso, que com o auxílio espiritual de Mãe Anastácia, levou a mina para Belém (PA) e depois para o Rio de Janeiro.

Dentre esses todos já extintos, destaca-se o de maior vulto em relação ao número de casas de culto que dele descendem ou são associadas:

o Terreiro do Egito (Ilê Niamê), fundado a 12 de dezembro de 1864 pela sacerdotisa Massionokou Alapong (Mãe Basília Sofiade Tói Lissá) uma africana de Kumasi(Gana) a partir de um quilombo no bairro do Itaqui. O terreiro do Egito deu origem a grandes casas, como:

a de Mãe Denira, no bairro do Sacavém, hoje continuada por Mãe Elzita;

Casa Fanti Ashanti, sediada no bairro Cruzeiro do Anil. Foi fundada pelo voduno Euclides Menezes Ferreira em 1954. Também conhecida como Tenda São Jorge Jardim de Oeira da Nação Fanti Ashanti, sendo o primeiro terreiro de mina a dedicar espaço de culto também ao candomblé. Pai Euclides manteve fortes ligações com o Sítio de Pai Adão (nagô do Recife - de onde obteve o título de Talabyan) e com o voduno Avimanjenon, chefe do Templo de Avimanje, em Ouidá, no Benin. Pai Euclides de Tói Lissá faleceu em 17 de agosto de 2015, deixando um enorme legado sobre as tradições africanas no Maranhão. A Casa Fanti Ashanti passa a ser chefiada por Mãe Isabel Mesquita (Mãe Kabeca de Xangô);

Terreiro de Mina Abê-Iemanjá (Ilê Axé Yemowô), sediado no bairro da Fé em Deus, foi fundado em 1958 pelo carismático voduno Jorge Itaci, falecido em 2003. Dom Jorge (Jorge Babalaô) possuía grande conhecimento sobre a Mina, deixando além de dvds e cds, um inestimável legado oral para seus filhos espirituais. Alguns deles fundaram casas em São Luís, Belém, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo e têm dado continuidade a tradição do tambor de Mina. Após sua morte, o terreiro foi chefiado por Mãe Florência de Tói Agongono (Tia Flôr) que faleceu em 13 de abril de 2015 e agora segue sob o comando da Mãe Eglantine de Tói Boçucó (Mãe Dedé);

Merece destaque o Otá Olé (Terreiro de Mina Pedra de Encantaria Rei Badé, do voduno José Itaparandi) e o Terreiro de Tambor de Mina Dois Irmãos, considerado o primeiro do Pará.
No Maranhão, especificamente, em São Luís, há uma diversidade de terreiros, até hoje não catalogados. Além disso muitas casas funcionam precariamente principalmente por dificuldades financeiras. Acredita-se que existem mais de 200 terreiros espalhados na capital definindo-se como Mina, Umbanda ou Mata (Encantaria de Maria Bárbara Soeira).
Existem terreiros de mina chefiados por pais e mães de santo, feitos no Maranhão, ou de origem maranhense, no Piauí, Pará, Amazonas, na Região Sudeste, como a Casa das Minas Tóia Jarina, fundada pelo Voduno Francelino de Shapanan na rua Ferrúcio Castagna, em São Paulo (SP).
Observações

Na Mina há festas especiais para voduns, gentis e caboclos, sendo que de acordo com o desenvolver do culto mudam-se os toques e os cânticos também, dependendo da família ou linha de entidades que se queira homenagear. Os voduns são as entidades superiores no culto e tudo começa e termina com eles, entretanto, convivem e podem ser celebrados juntamente com gentis ou caboclos (encantados), porém as festas em homenagens aos encantados geralmente ocorrem em separado. Na Mina, diz-se que uma entidade é encantada quando teve vida terrena e desapareceu sem ter sido constatada a sua morte.
A riqueza do culto e sua peculiaridade pode ser observada na liturgia, nos instrumentos, nos trajes, no comportamento das entidades e nos cânticos em língua jeje ou nagô, isto é, num jeje (fon) intraduzível, deturpado naturalmente no decorrer de séculos. Além dos cânticos tradicionais entoados aos voduns, cantam-se várias 'doutrinas' em português e ladainhas em latim, isto se deve ao fato de que o tambor-de-mina, com exceção da Casa das Minas, ser um mixto de elementos nagôs (yorubás), jeje (ewe-fon), fanti-ashanti, ketu, agrono ou cambinda(angola-congo), indígenas e europeus (catolicismo romano).
Por essa riqueza cultural e pelo próprio sincretismo presente no culto, estes elementos convivem de forma harmônica, sendo quase impossível separar do Tambor-de-Mina, o catolicismo popular, o folclore local e a Encantaria, já que, nesta acepção em especial, a maioria das casas de culto dedica-se também à Cura ou Pajelança (em ritos festivos chamados de Brinquedos de Cura, ou ainda Tambor de Curador, em Cururupu). É dito que os encantados que participam das duas "navegam nas duas águas", sendo a Mina classificada como "linha de água salgada" e a Cura/Pajelança como "linha de água doce". 
Entretanto, o que de fato vem descaracterizando o Tambor de Mina, é a influência direta ou indireta de denominações não originárias do Maranhão, como a Umbanda e o Candomblé exercida sobre muitos líderes de terreiros maranhenses, notória no usos de alguns vocábulos, práticas, rituais e paramentos próprios do candomblé ou da umbanda, porém totalmente alheios à Mina e que leva a que o culto seja, de maneira errônea e apressada, considerado como uma nação do Candomblé ou uma variedade da Umbanda.
Diversos objetos da cultura afro-maranhense, sobretudo do Tambor de Mina, como acessórios de indumentária e instrumentos musicais utilizados nos rituais religiosos da Casa das Minas, Casa de Nagô e outros terreiros do Maranhão, podem ser encontrados na Cafuá das Mercês (Museu do Negro), em São Luís.

Fonte: http://bit.ly/2w2VtDD
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 57
Assunto: Xangô de Pernambuco
O Xangô de Pernambuco, também conhecido como Xangô do Recife, Xangô do Nordeste e Nagô Egbá, é uma religião afrobrasileira.
Em todo o Nordeste da Paraíba à Bahia, a influência dos yorubas prevalece a do Daomé. Esta é a zona mais conhecida quanto às religiões tradicionais africanas, a que deu lugar a maior número de pesquisas e de trabalhos sobre os nagôs. As duas palavras para designá-las são, a de Xangô na Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, e de Candomblé da Bahia para o sul, esta dualidade de nomes, que não são nomes dados pelos negros, mas sim pelos brancos em virtude da popularidade e importância de Xangô nessa região, e Candomblé por designar toda dança dos negros, tanto profanas como religiosas.
Pureza Nagô

Mundicarmo Ferretti em "Pureza nagô e nações africanas no Tambor de Mina do Maranhão" escreve: "Os terreiros de religião de origem africana mais identificados com a África geralmente constroem sua identidade tomando como referência o conceito de “nação”, que os vincula ao continente africano, à África negra, através de uma casa de culto aberta no Brasil por africanos antes da abolição da escravidão (“de raiz africana”). No campo religioso afro-brasileiro, os terreiros Nagô mais antigos e tradicionais da Bahia foram considerados, tanto por pais-de-santo como por pesquisadores da área acadêmica, como mais puros ou autênticos e sua “nação” como mais preservada e/ou organizada. A partir do que foi convencionado na Bahia como “nagô puro”, têm sido avaliados terreiros nagô de outros estados das mais diversas denominações: Candomblé, Xangô, Mina, Batuque e outras. Analisando a questão da “pureza nagô”, Beatriz Góis Dantas (Dantas, 1988), apoiada em pesquisa realizada em Sergipe, mostra que, apesar da hegemonia do Candomblé nagô da Bahia na religião afro-brasileira, os indicadores de autenticidade africana ou “pureza nagô” adotados na Bahia nem sempre são os mesmos de outros estados e que traços muito valorizados no Candomblé da Bahia podem ser desvalorizados ou até rejeitados em terreiros de outras localidades."
A quase extinção

Fernandes, Gonçalves - autor do livro "Xangôs no Nordeste", Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1937, também é autor do livro "O Sincretismo Religioso no Brasil", São Paulo, Guairá, 1941, que fala sobre a noite de 1 de fevereiro de 1912 nas ruas da cidade de Maceió onde houve cenas de muita violência, com a invasão e destruição dos mais importantes terreiros de Xangô de Alagoas.
O Sítio de Pai Adão foi tombamento pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco – FUNDARPE, e todo o conhecimento foi transmitido sucessivamente a Obalonein, Fatemi e Oluandê, para que finalmente fossem passados em Belford Roxo a Osunaloji (Pai Milton), que zela pela conservação e manutenção dessa tradição recebida, no Ilê Axé Agawere Xapanan. Em seu ilê (casa), cujo orixá patrono é Iemanjá, as novas gerações de filhos de santo recebem dele todo esse rico arsenal de cultura afrobrasileira, com fundamento na nação Nagô-Egbá. Liderado hoje por Manuel Papai e Maria das Dores (já falecida), juntamente Pai Raminho de Oxossi que incentiva os desfiles de Maracatu no Carnaval do Recife.
Fatemi que antes do seu falecimento, procurou de todas as formas um sucessor(a), logrando êxito apenas em uma de suas Omorisa de nome Oluandê. Sem esquecer de Yá Ciça de Yemanjá, já falecida, de Yá Talamuzango, também falecida. Essas pessoas, foram as responsáveis diretas pela manutenção dos ritos Nago Egba no Rio de Janeiro.
No Maranhão, a Casa Fanti Ashanti, em São Luís, nação Jeje-Nagô, babalorixá Euclides Menezes Ferreira (Talabian), (de Oxaguianc/Oxum) e Mãe Isabel de Xangô com Oxum. A raiz é do Sitio de Pai Adão, Nagô do Recife.
Em São Paulo, a yalorixá Maria das Dores (Talabideiyn) deixou a seu filho Pai José Alabiy(José Gomes Barbosa), babalorixá do Ilê Axé Ajagunã Obá Olá Fadaká, a tradição Egbá, passada à sua filha Dona Lorena de Sntiago (Ya Dolu) Yalorixá do Ilê Axé Oya Tundê, juntamente com Baba Alajemi (Nilso Jorge Júnior),( de Oxalufon) que tem como Obalaxé Pai Paulo de Odé (Obalosun) onde também se preservam os mais antigos fundamentos do Nago-Egba. Entre outros, destaca-se a Yalorixá Valdecir de Obaluaye que, sendo filha-de-santo de Osunalogi, traz consigo a tradição e cultura dessa grande raiz.
Também no município de Guarulhos-SP, existe o Abassá de Xangô Agodo e Obafunle dirigido pelo babalorixá Alexandre de Odé e a iyalorixá Dida de Xangô (Mãe carnal de Pai Alexandre), que receberam o Axé e os ensinamentos de Manuel Papai, Tia Mãezinha (in memoria) e Mãe Janda (in memoria), dos quais preservam e cultuam os fundamentos Nagô-Egbá. Além de divulgarem a raiz, eles também participam de atos e ações sociais, religiosos, políticos e são os responsáveis espirituais pelo bloco Afro Ilú Oba De Min, formado por mulheres percussionistas que fazem um trabalho de educação, cultura e arte negra.

Fonte: http://bit.ly/2Qa73Ww
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 58
Assunto: Cabula
Cabula é o nome pelo qual foi chamada, na Bahia, uma religião sincrética que passou a ser conhecida no final do século XIX com o fim da escravidão, com caráter secreto e fundo religioso. É também o nome de um bairro de Salvador que teve origem do Quilombo do Cabula e de um ritmo da Diáspora musical africana no Brasil, toque de percussão religioso de Angola, base rítmica do samba, música de origem sudanesa.

Vamos resgatar um pouco desta origem, digna de todo nosso respeito e veneração.

Na época da escravidão, houve um sincretismo afro-católico, principalmente nas áreas rurais da Bahia e do Rio de Janeiro, denominado Cabula. Segundo pesquisas de historiadores, refere-se aos rituais negros mais antigos, envolvendo imagens de santos católicos sincretizados com os Orixás, herança da fase reprimida nas senzalas dos cultos africanos, onde os antigos sacerdotes mesclavam suas crenças e culturas com o catolicismo para conseguirem praticar e perpetuar sua fé. Quando no final do século XIX ocorre a libertação dos escravos, a Cabula já era amplamente presente como atividade religiosa afro-brasileira. Este sincretismo foi mantido após a anunciação da Umbanda em 1908 pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas.

No Rio de Janeiro de então e antes da origem oficial da Umbanda, eram comuns práticas afro-brasileiras similares ao que hoje ainda se conhece como Cabula e Almas e Angola. Cremos que o surgimento da Umbanda forneceu as normas de culto para uma prática ritual mais ordenada, orientada para o desenvolvimento da mediunidade e na prática da caridade com Jesus em auxílio gratuito a população pobre e marginalizada do início do século passado.

Religiões no Brasil

A partir de pesquisas em todo o território nacional, Roger Bastide, um dos grandes estudiosos do assunto, fez uma espécie de mapa das religiões africanas no Brasil. De acordo com o mapa, todo o Norte do país, da Amazónia à fronteira com Pernambuco, foi marcado pela influência indígena. Isso é ainda evidente na «pajelança» do Pará e da Amazónia, no encantamento do Piauí e no catimbó das demais regiões. No meio dessa grande área de influência indígena, criou-se uma espécie de ilha onde os africanos conseguiram marcar presença. É sobretudo em São Luís do Maranhão que escravos originários do Daomé deixaram traços das suas religiões no tambor de mina.

No resto do Nordeste foi muito marcante a contribuição dos Ioruba, povo de origem (sobretudo) nigeriana que conseguiu reconstruir no cativeiro toda a estrutura religiosa tradicional. É o que ficou no “xangô” de Pernambuco, Alagoas e Sergipe e no “candomblé” da Baía, explica o padre e missionário comboniano Heitor Frisotti, que estudou a fundo a relação entre o candomblé e o cristianismo.

No Rio de Janeiro, até ao início do século xx, houve influência de duas nações: a Ioruba, que cultuava os orixás, e a Banta, cujo culto é conhecido sob o nome de cabula. A macumba surgiu da introdução de determinados orixás e ritos iorubas na cabula. De acordo com a explicação do padre Frisotti, a religião banta não era muito estruturada: não tinha uma classe sacerdotal forte, como a dos Iorubas, nem cerimónias ricas como o candomblé. Por isso, a macumba adaptou-se com maior facilidade à estrutura urbana da grande cidade. Hoje está mais presente no Rio de Janeiro e São Paulo.

A grande cidade produziu também outra religião, a umbanda, verdadeira síntese brasileira de quase todas as expressões religiosas populares produzidas até hoje, do catolicismo popular ao espiritismo kardecista, do candomblé à macumba. Une, pois, o elemento europeu, o indígena e o africano.

Ritual

Em sua obra Kitábu: o livro do saber e do espírito negro-africanos – Rio de Janeiro. Ed Senac Rio, 2005, Nei Lopes registra sobre o culto Omolokô e o culto Cabula. Sobre a cabula, é relatado:

“A Mesa e o Santé – a Cabula é uma confraria de irmãos devotados à invocação das almas, de cada um dos kimbula, os espíritos congos que metem medo. Também se dedica à comunicação com eles por meio do kambula, o desfalecimento, a síncope, o transe enfim. Toda confraria de cabulistas constitui uma m
esa. O chefe de cada mesa é o embanda, a quem todos devem obedecer. Cada embanda é secundado por um cambone. A cabula é dirigida por um espírito, Tata, que encarna nos camanás, iniciados. Sua finalidade é o contato direto com o Santé, o conjunto de espíritos da natureza que moram nas matas. Por isso, todos os camanás devem trabalhar e se esforçar para receber esse Santé, preparando-se mediante abstinência e penitências. Cada um dos espíritos que formam o Santé é um Tata. Todo camaná tem e recebe seu Tata protetor, seja ele o Tata Guerreiro, o Tata Flor de Carunga, o Tata Rompe Serra, o Tata Rompe Ponte. Na mata moram os Bacuros, anciãos, antepassados, que nunca encarnam. A reunião dos camanás forma a engira (…)

Omolocô – O omolocô é um ramo da cabula, da mesma forma que a cabula é um ramo do omolocô, ciência dos antigos nganga-ia-muloko, que controlavam a maldição dos raios. O omolocô tem Zambi como Entidade Suprema. E cultua entidades como Canjira, o senhor dos caminhos e da guerra; Quimboto, o dono da varíola e das doenças; Caiala, senhora do mar; Pomboê, dona dos raios; Zambanguri ou Sambariri, senhor do trovão; Quiximbi ou Mamãe Cinda, dona das águas doces.
No Omolocô todo pai é um Tata; seus auxiliares são os cambones; todo filho é um caçueto; e toda médium, intermediária entre o Santé e o mundo dos vivos, é uma cota. E todos são malungos, amigos, companheiros.

A bandeira do Omolocô é verde, atravessada em diagonal por uma linha branca e com uma pena branca no centro (…) O camutuê, cabeça, do futuro caçueto não será raspado, recebendo apenas uma pequena tonsura (…)”

Influencia na umbanda.

A Cabula, segundo pesquisas refere-se aos rituais negros mais antigos, envolvendo imagens de santos católicos, herança da fase reprimida do Candomblé, onde os negros mesclavam crenças e culturas.
Talvez a própria Umbanda, tenha herança na Cabula, pois mantém forte a presença do Orixá em sua pratica doutrinária.

No Rio de Janeiro, antes mesmo de Zélio F. de Moraes incorporar o Caboclo Sete encruzilhadas no ano de 1908, já era bastante comum à prática dos rituais Afros similares aos que conhecemos hoje como Cabula, Omolocô e Almas e Angola. Talvez com o surgimento da Umbanda, tenha-se obtido uma maior organização ao que se refere ao desenvolvimento mediúnico, a prática da caridade e o auxílio ao nicho populacional menos favorecido.
Cabuleiros

Segundo Roger Medeiros o temor e, conseqüentemente, a perseguição à cabula vêm lá de trás, ainda por ocasião da escravatura, quando ela foi usada pelos negros como força revolucionária nos seus confrontos com os fazendeiros. A cabula era um ritual para abater os inimigos com feitiço, executando continuamente líderes escravagistas, especialmente aqueles que perseguiam os negros fugidos da senzala. Era, em verdade, um instrumento de luta manejado por um guerreiro invisível e intangível, de demônios constituído. O ódio era maior, principalmente, se esse feiticeiro fosse remanescente dos vindos da África.

(Segundo um dos maiores especialistas em assuntos da África, o jornalista polonês Rysard Kapuscinski, os povos africanos são regidos por forças sobrenaturais. São forças concretas, espíritos que têm nomes e encantos. São eles que definem o curso e o sentido da vida, sentenciam o destino de cada um e tudo decidem).

Realmente esse sentido de magia afro, guardadas, evidentemente, as devidas distâncias, tem tudo a ver com a nossa cabula, cujo ritual nos é contado agora por um antigo adepto, João de Deus Falcão dos Santos, 53 anos, morador de Itaúnas, mestre do Ticumbi, mas criado dentro de uma mesa de Santa Maria (a própria da Cabula):

– Começava a cabula com o cambone, que é o secretário do cabuleiro, forrando o chão com uma toalha branca. Colocava os santos sobre ela, botava os cordões e também as facas. Os participantes amarravam uma fita branca na cabeça. O cabuleiro era quem fazia a sessão, sempre à noite, pois a noite traz segurança e tranqüilidade aos espíritos. O cabuleiro trabalhava nela e o cambone seguia as suas ordens. O povo da mesa só cantava e rodava.

– Divino vai, Divino vai,
Divino vai/Eu vou dar o meu licaço (uma roda)/O cambucito vai embora/eu vou dar o meu licaço/é o santé, o caboclo que está no corpo de fulano. Aí o pessoal da roda fazia os pedidos. O cabuleiro receitava para tratar de doenças. A primeira parte da cabula era só para fazer o bem, como a cura dos doentes. Depois entrava a parte para fazer o mal.

Aí, diz João, o cabuleiro trabalhava com a parte do Satanás. Incorporava nele só gente brava. Vinham os pedidos para fazer mal aos desafetos. Recebido o pedido, o cabuleiro ia para o mato fazer o serviço, enquanto que o povo da mesa cantava e fazia novamente a roda. Ele voltava com o corpo envolvido em cipó e cheio de espinhos. Nesta hora, alguém tombava em algum lugar – garante João, com toda convicção ainda de antigo devoto da cabula.

Manter o segredo sobre o ritual era como uma lei para não ser desobedecida nunca pelos seus adeptos. Há inúmeras histórias de adeptos da cabula presos e torturados pela polícia, mas que jamais revelaram os segredos de seus rituais. A longevidade da cabula andou, inclusive, por conta desse pacto da sociedade negra para com a sua religião, segundo o historiador Maciel de Aguiar. Mas Maciel divide em dois momentos distintos a cabula: uma em que ela mantinha a chama revolucionária e outra servindo às rixas entre suas próprias comunidades.
Sobre os casos das rixas, João Falcão também testemunhou vários e conta um que nunca lhe saiu da memória:

– Houve um ponto que foi um confronto entre duas mesas de cabula. Uma de Santa Maria (a mais freqüentada) e outra de Santa Bárbara (de menor número de adeptos). Eu estava na mesa de Santa Maria. Era um cabuleiro querendo matar o outro. Um chamava-se Sebastião e o outro Zé Gonçalves, mas esse era mais conhecido com Zé da Mesa de Santa Bárbara.

– Quando estava acabando a sessão na de Santa Maria, apareceu uma cobra no meio da mesa. O cabuleiro ordenou ao seu cambone que não deixasse ninguém matar ou tocar nela. Pegou uma zema (areia) e soprou em cima da cobra, dizendo que foi o Zé da Mesa de Santa Bárbara quem havia enviado a cobra para matá-lo. Colocou levemente a mão sobre ela. E ela morreu logo em seguida.

– Depois de encerrado a sessão da cabula, ele convidou os participantes a seguirem com ele para a beira do rio, a fim de apreciar o corpo de Zé da Mesa de Santa Bárbara passar para o cemitério. E não é que apareceu uma canoa com o corpo do Zé? Uma grande canoa de pequi, com adeptos da mesa de Santa Bárbara, em silêncio, trazendo o defunto do cabuleiro inimigo para ser enterrado no cemitério de Itaúnas.

Era um tempo que João classificou de muito feitiço, com o que concorda Maciel (responsável pela maior parte das informações dessa reportagem). Mas ai nós já estamos em meados do século XX, quando a cabula passa a sobreviver com outros propósitos. Mas o seu começo foi realmente o de servir à luta pela libertação dos escravos. Sua eficiência foi tamanha nesta etapa que o governo da Província, instigado pelo padre da região, Duarte Pereira Carneiro, instituiu a guerrilha de São Mateus para o extermínio da cabula.

Segundo ainda Maciel, essa guerrilha remanejou para São Mateus capitães do mato de outras regiões do Pais. Entre eles veio um dos mais temidos, o cearense Francisco Vieira de Melo, que executou o Negro Rugério, chefe do Quilombo de Santana. Mas escaparam dele outros líderes revolucionários, entre eles Benedito Meia Légua e Clara Maria do Rosário, que só seriam mortos depois da ida à região do bispo diocesano do Estado, d. João Batista Correia Nery.

Mas o bispo só chegou lá depois da abolição da escravatura, movido pelo momento por que passava o país, ainda tomado pelo alvoroço religioso-fanático de Antônio Conselheiro no sertão da Bahia. Desconfiavam os dirigentes católicos da terra que este mesmo fanatismo do sertão baiano seria transportado para a região do vale do Cricaré, onde existiam, na época, cinco mil escravos libertos.

Por esse tempo, a cabula havia crescido muito, tinha deixado de ser apenas religião dos negros fugidos, passando a ser, também, dos negros libertos e praticamente de toda a
população negra. A partir desse novo contingente de freqüentadores, ela dedicou-se também ao culto aos seus heróis revolucionários, com a sistemática encarnação nos cabuleiros dos espíritos revolucionários de Benedito Meia Légua, Negro Rugério e Maria Clara do Rosário.

Por esse período da grande afluência dos negros a cabula, que vai da abolição da escravatura (1888) ao inicio do século XX, passando pela transição da Monarquia para a República, o bispo d. João Batista Nery conseguiu que o governo pusesse em execução a maior perseguição policial à cabula, sob suspeita, novamente, de que ali estaria também para surgir um novo Canudos, com outro fanático à frente do tipo de Antonio Conselheiro.

A intervenção do bispo chegou ao ponto de fazer o governo considerar a cabula uma atividade criminosa. E a cabula defendeu-se caindo na clandestinidade, disfarçando sua atividade na prática do espiritismo, que era tolerado pelas autoridades policiais. Essa situação durou até os anos 20, quando veio a surgir, no sertão de Itaúnas, um branco, atuando também na mesa de Santa Maria. Tratava-se de um fazendeiro, de origem portuguesa, de nome Duca Tora.
Ficaria famoso como curandeiro, milagreiro, mas que, segundo o seu parente Lauro Vasconcelos Nascimento, de 87 anos, todo mundo conhece em Itaúnas como “seu Dodozinho”. Duca Tora era um cabuleiro que jamais tratou do mal na sua mesa de Santa Maria. Acabou sendo por isso usado pela elite para incentivar ainda mais o combate à cabula dos feiticeiros negros.

Em 1941, morreria Duca Tóra e as populações da região voltavam a sentir a novamente a presença forte da cabula feita pelos negros. Era comum, inclusive, nesta época, se esconder a vítima do feiticeiro como forma de salvar-lhe a vida. Já era final dos anos 40, para inicio dos anos 50, quando finalmente o governo enviou à região levas de policiais para dar fim à cabula, como desejavam também autoridades de São Mateus e, principalmente, de Conceição da Barra.

À frente seguiu o mais temido de todos os oficiais da história da PM: o major Djalma Borges, que promoveu impiedosa matança de feiticeiros, conhecidos na região como cabuleiros. Não deixou sequer um único cabuleiro vivo. Extinguiu, literalmente, a cabula, cujo segredo do ritual não chegou a conhecer, pois lhe negaram todos os cabuleiros, muito dos quais debaixo de sessões de torturas, como mais tarde o próprio oficial revelaria aos seus superiores. O que leva a crer que a cabula acabou, mas levou consigo todos os seus segredos, pelos quais, anos a fio, combateram diversas gerações das elites rurais do Estado.

Fonte: http://bit.ly/2I5EJAU
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 59
Assunto: Candomblé bantu
O candomblé bantu (ou candomblé de Angola) é uma das maiores nações de candomblé. Desenvolveu-se entre escravos que falavam Kimbundu, Umbundu e kikongo.
Etimologia

A palavra bantu é uma reconstrução do protobanto com o significado de gente, termo criado pelo linguista alemão Wilhelm Bleek. O termo bantu ou banto é usado para identificar os povos da África subsariana que falavam línguas bantas.
Principais Bankisi/Minkisi

Mpambu Njila - Nkisi/Akixi dos caminhos e encruzilhadas, Mpambu Njila engloba a energia dos viajantes, povos nômades... Seu nome significa "Caminho e encruzilhada", em idioma kikongo. Divindade também ligada ao conhecimento.

Oluvaiá - Divindade relacionada a segurança de casas, aldeias, cidades... No candomblé Congo/Angola, é responsável pela segurança das jinzó (casas) de culto. Também possui relação com a fertilidade masculina e ao sexo.

Mavambo/Mavile/Mavilotango - Divindade ligada a segurança.

Nkosi/Hoji - Nkisi da guerra, guardião, divindade da fúria... "Nkosi" significa leão em kikongo, enquanto "Hoji" tem o mesmo significado, em idioma kimbundo.

Xauê - Divindade Ligada as batalhas.

Nanguê - Divindade ligada a forja e ao progresso.

Mukumbe - Divindade ligada a agricultura.

Gongo Mukongo - Divindade ligada a caça, mora no fundo das matas.
katende - Divindade masculina ligada às folhas, remédios e aos pequenos répteis.

Mutakaloombo - Divindade da caça, ligado as matas e as faunas selvagens, também tem relação com a fartura.

Kabila - Divindade do pastoreio, das faunas e da fartura.

Nkongo Mbila - Divindade da caça, da fartura, também ligado a pesca.

Nzazi - Nzazi é a divindade dos raios e por isso é chamado de o “Deus da justiça”, porque em território bantu, quando um raio atinge uma casa, uma pessoa ou uma aldeia é feito desse fato uma cobrança da justiça divina.

Luango - Divindade ligada ao magma, ao fogo e aos vulcões.

Nvunji - Divindade feminina, ligada aos partos e aos assuntos de justiça. Nos candomblés de Angola é também o Nkisi que acompanha o noviço durante todo seu período de iniciação. Tem estreita ligação com Luango.

Karamuse - Divindade guerreira, ligada aos rios, lagos e lagoas.

Kavungu/Kafungê - Divindade masculina ligada à ráfia, a prosperidade, a terra e aos mistérios.

Nsumbo - Divindade relacionada ao elemento terra, ligado as doenças e a cura.

Kuiganga - Divindade ligada a pureza e a feminilidade.

Hongolo - Divindade ligada a chuva, tempestades, nuvens e ao arco-íris. Tem sua contraparte feminina, chamada Hongolo Menya.

Kitembu/Ndembwa - Divindade rei do candomblé Congo/Angola. Seu nome significa vento... Está ligado as estações do ano, as mudanças, ao clima, ao ventos e tempestades.

Matamba - Divindade feminina, guerreira... Nkisi do fogo, da paixão, do desejo sexual.

Kaiango - Divindade feminina das faunas e dos ventos, está ligada aos mortos.

Nvulu Nsema - Divindade feminina da chuva, dos ventos, dos furacões e tempestades.

Nzumba/Nzumbaranda - É cultuada como a divindade das águas turvas dos pântanos e como sendo aquela que conhece os segredos da vida e da morte (talvez por isso muitos a tem como uma anciã). Em Kimbundu o termo Nzumba serve para designar “a cor arroxeada da lua durante o eclipse lunar” o que explicaria a cor roxa com que se veste o Nkisi.

Samba Kalunga - Em kimbundu samba significa cortesã, dama da corte, ou seja, mulher nobre. Samba, portanto, dama de alta nobreza, acrescida de Kalunga, que é o mar, gera a locução Dama do mar ou rainha do mar. É um Nkisi de natureza marinha, a quem são dedicados tanto lá em Angola, especificamente Luanda, como no Brasil um culto intenso.

Mikaia/Kaia/Kokueto - Divindade ligada aos mares e oceanos.

Ndanda-Nlunda - Divindade feminina ligada às águas dos rios, cachoeiras e as lavouras.

Kisimbi - Divindades ligadas a água doce.

Nkasute - Nkisi da vitória, da conquista, das lutas, da harmonia e da paz.

Lembá/Lembá Dilê/Lembá dia Nganga - Divindade da ancestralidade, da procriação, da clareza, inteligência humana e patrono dos casamentos. É cultuado tanto entre os Tchokwe, Cabindas, Maiacas, entre outros, variando a sua sexualidade, mas atuando nos mesmos campos.

Existem muitos outros Bankisi/Minkisi, uma vez que não há um número certo de divindades cultuadas pelos povos de Congo e Angola, porém os listados acima são os mais conhecidos no Brasil.
Rituais (jipangu)

No candomblé de angola, os sacramentos são:

Maionga - Banho de ervas frescas maceradas na água doce, feito para limpeza e purificação espiritual.

Mujinga - Ritual de limpeza e purificação, feito com banho de pipoca.

Kudibala koxi kisaba - Rito de caída sob as folhas.

Nkudia Mutue - Ritual de energização de força (ngolo/nguzu), da cabeça (mutuê), feita através de comidas (Nkudia).

Kukuana - Celebração de divisão dos alimentos.

Nkudia Mutuê Mahinga/Mayonge - Energização de forças da cabeça, através de sangue.

Sakulupemba - Sacudimento; ritual de limpeza e purificação com folhas.

Katula o jindemba - Ritual de tirar os cabelos; raspagem.

Kujinga - Ritual de cortes ritualísticos (kura).

Kutambula Nfita - Ritual do Juramento.

Kuhandeka/Ukalakele - Ritual de iniciação; "feitura de santo".

Kizuá Dijina - Ritual do nome do iniciado.

Kuvumbu Kuala Nkita - Obrigação secreta, realizada na Mata.

Dizungu Kilume - Saída do santo.

Kadianga mivu - Primeiro aniversário.

Katatu Mivu - Terceiro aniversário.

Kakuinhi Iéia mivu - Décimo quarto aniversário.

Kamakuinhi kadianga mivu - Vigésimo primeiro aniversário.

Kituminu - Obrigação para o Nkisi.

Kituminu Kizomba ia Kitembu - Obrigação e festa de Kitembu.

Ndanka kua Nkosi - ritual de jura para Nkosi.

Leri - Ritual de segredo dos Antigos.

Ntambi/Mukondo - Ritual fúnebre.

Kufunda - Cerimônia fúnebre no cemitério (enterro).

Pangu ni Nvumbi - Rito para alma do morto.

Pangu ni Makulu - Ritual para os antepassados.

Maku ia Nvumbi - Ritual de "tirar a mão do morto".

Lukombo - Celebração de homenagem aos mortos.

Kunda kubanga Mivu - Purificação do ano.

Kutambula Ntanda - Obrigação que autoriza os ensinamentos dos oráculos e transmissão dos direitos aos ensinamentos.

Existem muitos outros rituais do candomblé Congo/Angola, porém esses são os mais importantes e conhecidos.