Orixalá no Xambá
Orixá mais velho, considerado pai da maioria dos orixás, representa a paz. No mês de julho, todas as sextas-feiras há o arroz de Orixalá (Ossé), ocasião onde se canta muito para esse orixá. Durante todo o mês de outubro não há na casa obrigação de sangue, apenas inhame e bagre encerrando com toque ao final do mês.
mês de Orixalá é julho.
dia da semana é a sexta-feira.
cor da roupa e da guia: branco.
Ferramenta: Opaxorô (cajado).
Orixá mais velho, considerado pai da maioria dos orixás, representa a paz. No mês de julho, todas as sextas-feiras há o arroz de Orixalá (Ossé), ocasião onde se canta muito para esse orixá. Durante todo o mês de outubro não há na casa obrigação de sangue, apenas inhame e bagre encerrando com toque ao final do mês.
mês de Orixalá é julho.
dia da semana é a sexta-feira.
cor da roupa e da guia: branco.
Ferramenta: Opaxorô (cajado).
Ritual
O ritual é semelhante ao do Candomblé.
Calendário de festas:
Toque de Obaluaiê - 21 de janeiro
Toque de Oxum - 11 de fevereiro
Toque de Ogum - 29 de abril
Toque de Yemanjá - 27 de maio
Toque de Xangô - 17 de junho
Coco da Xambá - 29 de junho - Aniversário de Mãe Biu
Toque de Orixalá - 29 de julho
Aniversário do Babalorixá da Casa - Ivo do Xambá - 06 de agosto
Dia do Quilombo Urbano do Portão do Gelo - 24 de setembro
Toque de Bêji - 30 de setembro
Toque do Inhame - 28 de outubro
Dia da Consciência Negra - 20 de novembro
Louvação de Oyá - 12:00 - 13 de dezembro
Toque de Oyá - 16 de dezembro
Os toques sempre são as 16 horas da tarde. Em todos os toques é servido aos filhos de santo da casa e aos convidados um café com manguzá, que é tradição da casa.
Aos visitantes:
Não é permitido uso de roupas pretas
O homem deve se vestir de calça (nunca bermuda, short ou camiseta regata)
A mulher deve se vestir de saia ou vestido abaixo do joelho (nunca de calça nem camiseta)
O ritual é semelhante ao do Candomblé.
Calendário de festas:
Toque de Obaluaiê - 21 de janeiro
Toque de Oxum - 11 de fevereiro
Toque de Ogum - 29 de abril
Toque de Yemanjá - 27 de maio
Toque de Xangô - 17 de junho
Coco da Xambá - 29 de junho - Aniversário de Mãe Biu
Toque de Orixalá - 29 de julho
Aniversário do Babalorixá da Casa - Ivo do Xambá - 06 de agosto
Dia do Quilombo Urbano do Portão do Gelo - 24 de setembro
Toque de Bêji - 30 de setembro
Toque do Inhame - 28 de outubro
Dia da Consciência Negra - 20 de novembro
Louvação de Oyá - 12:00 - 13 de dezembro
Toque de Oyá - 16 de dezembro
Os toques sempre são as 16 horas da tarde. Em todos os toques é servido aos filhos de santo da casa e aos convidados um café com manguzá, que é tradição da casa.
Aos visitantes:
Não é permitido uso de roupas pretas
O homem deve se vestir de calça (nunca bermuda, short ou camiseta regata)
A mulher deve se vestir de saia ou vestido abaixo do joelho (nunca de calça nem camiseta)
Nação Xambá homenageada
O Governo do Estado de Pernambuco e o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano adotaram o nome Xambá para o Terminal Integrado de Ônibus que foi construído próximo ao Terreiro na cidade de Olinda. O Terminal Integrado de Xambá foi inaugurado em Agosto de 2013.
Fonte: tinyurl.com/y67h7n4p
O Governo do Estado de Pernambuco e o Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano adotaram o nome Xambá para o Terminal Integrado de Ônibus que foi construído próximo ao Terreiro na cidade de Olinda. O Terminal Integrado de Xambá foi inaugurado em Agosto de 2013.
Fonte: tinyurl.com/y67h7n4p
Wikipedia
Xambá
Religiões afro-brasileiras
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 65
Assunto: Culto aos egunguns
Parte: 65
Assunto: Culto aos egunguns
O Culto aos Egunguns é o culto aos ancestrais masculinos, uma vez que o culto aos ancestrais femininos denomina-se Gelede a religião iorubá e outras religiões tradicionais africanas.
África
Segundo a tradição, o culto de Egungun é originário da região de Oyò, na África. É um culto exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto, tendo, como auxiliares, os Ojés. Todo integrante do culto de egungun é chamado de Mariwó. Xangô (Sòngó) é o fundador do culto a egungum: somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itan:
“Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô à frente, as Yàmi fizeram roupas iguais às de Egungum, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto. Todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou, desafiando os supostos espíritos. As Yàmi ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança. Em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo a seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de obi, e foi aí que as Yàmi atacaram e derrubaram Adubaiyni, a filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino, que, até então, era muito próspero. Foi até Orunmilà, que lhe disse que Yàmi é que havia matado sua filha. Xangô quis saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilà lhe disse para fazer oferendas ao orixá Ikù (Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos. Assim fez Xangô, seguindo à risca os preceitos de Orunmilà.
Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para si o controle absoluto dos egunguns (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos egunguns, e se tornando terminantemente proibida a participação de mulheres neste culto. Por terem provocado a ira de Olorum, Xangô, Ikú e dos próprios egunguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais, as Yami.”
Segundo a tradição, o culto de Egungun é originário da região de Oyò, na África. É um culto exclusivo de homens, sendo Alápini o cargo mais elevado dentro do culto, tendo, como auxiliares, os Ojés. Todo integrante do culto de egungun é chamado de Mariwó. Xangô (Sòngó) é o fundador do culto a egungum: somente ele tem o poder de controlá-los, como diz um trecho de um Itan:
“Em um dia muito importante, em que os homens estavam prestando culto aos ancestrais, com Xangô à frente, as Yàmi fizeram roupas iguais às de Egungum, vestiram-na e tentaram assustar os homens que participavam do culto. Todos correram mas Xangô não o fez, ficou e as enfrentou, desafiando os supostos espíritos. As Yàmi ficaram furiosas com Xangô e juraram vingança. Em um certo momento em que Xangô estava distraído atendendo a seus súditos, sua filha brincava alegremente, subiu em um pé de obi, e foi aí que as Yàmi atacaram e derrubaram Adubaiyni, a filha de Xangô que ele mais adorava. Xangô ficou desesperado, não conseguia mais governar seu reino, que, até então, era muito próspero. Foi até Orunmilà, que lhe disse que Yàmi é que havia matado sua filha. Xangô quis saber o que poderia fazer para ver sua filha só mais uma vez, e Orunmilà lhe disse para fazer oferendas ao orixá Ikù (Oniborun), o guardião da entrada do mundo dos mortos. Assim fez Xangô, seguindo à risca os preceitos de Orunmilà.
Xangô conseguiu rever sua filha e pegou para si o controle absoluto dos egunguns (ancestrais), estando agora sob domínio dos homens este culto e as vestimentas dos egunguns, e se tornando terminantemente proibida a participação de mulheres neste culto. Por terem provocado a ira de Olorum, Xangô, Ikú e dos próprios egunguns, este foi o preço que as mulheres tiveram que pagar pela maldade de suas ancestrais, as Yami.”
Brasil
É o culto aos ancestrais masculinos, originário de Oyo, capital do império Nagô, que foi implantado no Brasil no início do século XIX.
O culto principal aos egunguns é praticado na ilha de Itaparica, no estado da Bahia, mas existem casas em outros estados.
Quanto ao aspecto físico, um terreiro de egungum ou egum apresenta, basicamente, as seguintes unidades:
um espaço público, que pode ser frequentado por qualquer pessoa, e que se localiza numa parte do barracão de festas;
uma outra parte desse salão, onde só podem ficar e transitar os iniciadores, e para onde os eguns vêm quando são chamados, para se mostrar publicamente;
uma área aberta, situada entre o barracão e o Ilê Igbalé (ou Ilê Awô - a casa do segredo), onde também se encontra um montículo de terra preparado e consagrado, que é o assentamento de Onilé;
um espaço privado ao qual só têm acesso os iniciados da mais alta hierarquia, onde fica o Ilê Awô, com os assentamentos coletivos, e onde se guardam todos os instrumentos e paramentos rituais, como os Isan (pronuncia-se "ixan"), longas varas com as quais os Ojés invocam (batendo no chão) e controlam os egunguns.
É o culto aos ancestrais masculinos, originário de Oyo, capital do império Nagô, que foi implantado no Brasil no início do século XIX.
O culto principal aos egunguns é praticado na ilha de Itaparica, no estado da Bahia, mas existem casas em outros estados.
Quanto ao aspecto físico, um terreiro de egungum ou egum apresenta, basicamente, as seguintes unidades:
um espaço público, que pode ser frequentado por qualquer pessoa, e que se localiza numa parte do barracão de festas;
uma outra parte desse salão, onde só podem ficar e transitar os iniciadores, e para onde os eguns vêm quando são chamados, para se mostrar publicamente;
uma área aberta, situada entre o barracão e o Ilê Igbalé (ou Ilê Awô - a casa do segredo), onde também se encontra um montículo de terra preparado e consagrado, que é o assentamento de Onilé;
um espaço privado ao qual só têm acesso os iniciados da mais alta hierarquia, onde fica o Ilê Awô, com os assentamentos coletivos, e onde se guardam todos os instrumentos e paramentos rituais, como os Isan (pronuncia-se "ixan"), longas varas com as quais os Ojés invocam (batendo no chão) e controlam os egunguns.
Hierarquia
O culto a egum ou egungum veio da África junto com os Orixás trazidos pelos negros escravizados . Era um culto muito fechado, secreto mesmo, mais que o dos orixás, por cultuarem os mortos.
A primeira referência do culto de egum no Brasil, segundo Juana Elbein dos Santos, foram duas linhas escritas por Nina Rodrigues, referindo-se a 1896, mas existem evidências de terreiros de egum fundados por africanos no começo do século XIX.
Os terreiros de egum mais famosos foram:
Terreiro de Vera Cruz: fundado por volta de 1820 por um africano chamado "Tio Serafim", em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. Ele trouxe, da África, o egum de seu pai, invocado até hoje como Egun Okulelê. Faleceu com mais de cem anos.
Terreiro de Mocambo: fundado por volta de 1830 por um africano chamado "Marcos-o-Velho" para distingui-lo do seu filho, na plantação de Mocambo, Ilha de Itaparica. Teria comprado sua carta de alforria, anos mais tarde teria voltado à África junto com seu filho Marcos Teodoro Pimentel, conhecido como "Tio Marcos", lá permanecendo por muitos anos aperfeiçoando seus conhecimentos litúrgicos, onde também seu filho foi iniciado. Quando voltaram, trouxeram, com eles, o assento do Baba Olukotun, considerado o Olori Egun, o ancestral primordial da nação nagô.
Terreiro de Encarnação: fundado por volta de 1840 por um filho do Tio Serafim, chamado "João-Dois-Metros" por causa de sua altura, no povoado de Encarnação. Foi nesse terreiro que se invocou, pela primeira vez no Brasil, o egum Baba Agboula, um dos patriarcas do povo Nagô.
Terreiro de Tuntun: fundado por volta de 1850 pelo filho de Marcos-o-Velho, chamado Tio Marcos, num velho povoado de africanos denominado Tuntun, na Ilha de Itaparica. Marcos possuiu o título de Alapini, Ipekun Ojé, Sacerdote Supremo do Culto aos Egunguns. Na tradição histórica Nagô, o Alapini representa os terreiros de egum no afin, o palácio real.
Tio Marcos, Alapini, faleceu por volta de 1935, e, com sua morte, desapareceu o terreiro do Tuntun, porém a tradição do culto a Baba Olokotun continuou através de seu sobrinho Arsênio Ferreira dos Santos, que possuía o título de Alagba. Este migrou para o Rio de Janeiro levando o assento de Baba Olokotunpara o município de São Gonçalo. Depois do falecimento de Arsênio, os assentos dos Baba retornaram para Bahia, através do atual Alapini, Deoscoredes M. dos Santos, conhecido como "Mestre Didi Axipá", presidente da Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá. Mestre Didi foi iniciado na tradição do culto aos egunguns por Marcos e Arsênio.
Terreiro do Corta-Braço: na Estrada das Boiadas, ponto de reunião de praticantes da capoeira, atualmente bairro da Liberdade, cujo chefe era um africano conhecido como Tio Opê. Um dos Ojé, sacerdotes do culto aos egunguns, conhecido como "João Boa Fama", iniciou alguns jovens na Ilha de Itaparica, que se juntariam com os descendentes de Tio Serafim e Tio Marcos para fundarem o Ilê Agboulá, no bairro Vermelho, próximo à Ponta de Areia.
Outros terreiros de egunguns foram registrados no final do século XIX: um, localizado em Quitandinha do Capim, que cultuava os eguns Olu-Apelê e Olojá Orum; o de Tio Agostinho, em Matatu, que se tornou ponto de concentração de vários Ojés de outras casas, inclusive o alapini Tio Marcos; o Terreiro da Preguiça, ao lado da Igreja da Conceição da Praia.
Ilê Agboulá: localizado em Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica, o Ilê Agboulá é, hoje, no Brasil, um dos poucos lugares dedicados exclusivamente ao culto dos eguns. Sua fundação remonta ao primeiro quarto do século XX por Eduardo Daniel de Paula, Tio Opê, Tio Serafim e Tio Marcos, mas a comunidade que lhe deu origem e que lhe mantém os fundamentos está estabelecida na ilha desde o século XIX.
Ilê Olokotun, na Ilha de Itaparica
Ilê Axipá - Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá.
O culto a egum ou egungum veio da África junto com os Orixás trazidos pelos negros escravizados . Era um culto muito fechado, secreto mesmo, mais que o dos orixás, por cultuarem os mortos.
A primeira referência do culto de egum no Brasil, segundo Juana Elbein dos Santos, foram duas linhas escritas por Nina Rodrigues, referindo-se a 1896, mas existem evidências de terreiros de egum fundados por africanos no começo do século XIX.
Os terreiros de egum mais famosos foram:
Terreiro de Vera Cruz: fundado por volta de 1820 por um africano chamado "Tio Serafim", em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica. Ele trouxe, da África, o egum de seu pai, invocado até hoje como Egun Okulelê. Faleceu com mais de cem anos.
Terreiro de Mocambo: fundado por volta de 1830 por um africano chamado "Marcos-o-Velho" para distingui-lo do seu filho, na plantação de Mocambo, Ilha de Itaparica. Teria comprado sua carta de alforria, anos mais tarde teria voltado à África junto com seu filho Marcos Teodoro Pimentel, conhecido como "Tio Marcos", lá permanecendo por muitos anos aperfeiçoando seus conhecimentos litúrgicos, onde também seu filho foi iniciado. Quando voltaram, trouxeram, com eles, o assento do Baba Olukotun, considerado o Olori Egun, o ancestral primordial da nação nagô.
Terreiro de Encarnação: fundado por volta de 1840 por um filho do Tio Serafim, chamado "João-Dois-Metros" por causa de sua altura, no povoado de Encarnação. Foi nesse terreiro que se invocou, pela primeira vez no Brasil, o egum Baba Agboula, um dos patriarcas do povo Nagô.
Terreiro de Tuntun: fundado por volta de 1850 pelo filho de Marcos-o-Velho, chamado Tio Marcos, num velho povoado de africanos denominado Tuntun, na Ilha de Itaparica. Marcos possuiu o título de Alapini, Ipekun Ojé, Sacerdote Supremo do Culto aos Egunguns. Na tradição histórica Nagô, o Alapini representa os terreiros de egum no afin, o palácio real.
Tio Marcos, Alapini, faleceu por volta de 1935, e, com sua morte, desapareceu o terreiro do Tuntun, porém a tradição do culto a Baba Olokotun continuou através de seu sobrinho Arsênio Ferreira dos Santos, que possuía o título de Alagba. Este migrou para o Rio de Janeiro levando o assento de Baba Olokotunpara o município de São Gonçalo. Depois do falecimento de Arsênio, os assentos dos Baba retornaram para Bahia, através do atual Alapini, Deoscoredes M. dos Santos, conhecido como "Mestre Didi Axipá", presidente da Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá. Mestre Didi foi iniciado na tradição do culto aos egunguns por Marcos e Arsênio.
Terreiro do Corta-Braço: na Estrada das Boiadas, ponto de reunião de praticantes da capoeira, atualmente bairro da Liberdade, cujo chefe era um africano conhecido como Tio Opê. Um dos Ojé, sacerdotes do culto aos egunguns, conhecido como "João Boa Fama", iniciou alguns jovens na Ilha de Itaparica, que se juntariam com os descendentes de Tio Serafim e Tio Marcos para fundarem o Ilê Agboulá, no bairro Vermelho, próximo à Ponta de Areia.
Outros terreiros de egunguns foram registrados no final do século XIX: um, localizado em Quitandinha do Capim, que cultuava os eguns Olu-Apelê e Olojá Orum; o de Tio Agostinho, em Matatu, que se tornou ponto de concentração de vários Ojés de outras casas, inclusive o alapini Tio Marcos; o Terreiro da Preguiça, ao lado da Igreja da Conceição da Praia.
Ilê Agboulá: localizado em Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica, o Ilê Agboulá é, hoje, no Brasil, um dos poucos lugares dedicados exclusivamente ao culto dos eguns. Sua fundação remonta ao primeiro quarto do século XX por Eduardo Daniel de Paula, Tio Opê, Tio Serafim e Tio Marcos, mas a comunidade que lhe deu origem e que lhe mantém os fundamentos está estabelecida na ilha desde o século XIX.
Ilê Olokotun, na Ilha de Itaparica
Ilê Axipá - Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Axipá.
Ritual
Tanto a tradição Nagô como a Jeje e a Congo-Angola cultuam os ancestrais. Para os Nagôs, existem, no Brasil três formas de cultuar os ancestrais: os Esa, os Egungun e as Iya-mi Agba.
Os terreiros de candomblé possuem um local apropriado de adoração do espírito de seus mortos ilustres, esse local é denominado de Ilê ibo aku, casa de adoração aos mortos, enfim todos iniciados no culto aos Orixás.
Os Esa são considerados os ancestrais coletivos dos afro-brasileiros. Seu culto se refere à comunidade em geral. O que destaca o Esa é o fato de ele ter-se destacado em vida por servir a comunidade e de continuar atuando em outro plano, contribuindo para o bom desenvolvimento do destino dos fiéis e da casa. O Ilê ibo aku, onde são assentados e cultuados os Esa, é afastado do templo onde são cultuados os orixás.
Os sacerdotes que são iniciados especialmente para cuidar do Ilê ibo aku não são adoxu, isso é, não manifestam orixá. Os ancestrais cultuados no Ilê ibo aku são diferentes dos cultuados no culto aos egunguns: no primeiro, são os espíritos dos falecidos da casa de candomblé; no segundo, são os ara-orun em geral e os espíritos dos ojés africanos ou brasileiros.
Os Esa são invocados e cultuados em diversas situações, especialmente no padê e no axexê, quando é constituído o assentamento de um adoxu ou dignitário ilustre falecido. O assento de Esa se caracteriza pela representação da existência genérica, e o do egungum pela representação do espírito individualizado. O egungum se caracteriza pela aparição no aiyê. Os Esa e os Egun são invocados no padê.
Tanto a tradição Nagô como a Jeje e a Congo-Angola cultuam os ancestrais. Para os Nagôs, existem, no Brasil três formas de cultuar os ancestrais: os Esa, os Egungun e as Iya-mi Agba.
Os terreiros de candomblé possuem um local apropriado de adoração do espírito de seus mortos ilustres, esse local é denominado de Ilê ibo aku, casa de adoração aos mortos, enfim todos iniciados no culto aos Orixás.
Os Esa são considerados os ancestrais coletivos dos afro-brasileiros. Seu culto se refere à comunidade em geral. O que destaca o Esa é o fato de ele ter-se destacado em vida por servir a comunidade e de continuar atuando em outro plano, contribuindo para o bom desenvolvimento do destino dos fiéis e da casa. O Ilê ibo aku, onde são assentados e cultuados os Esa, é afastado do templo onde são cultuados os orixás.
Os sacerdotes que são iniciados especialmente para cuidar do Ilê ibo aku não são adoxu, isso é, não manifestam orixá. Os ancestrais cultuados no Ilê ibo aku são diferentes dos cultuados no culto aos egunguns: no primeiro, são os espíritos dos falecidos da casa de candomblé; no segundo, são os ara-orun em geral e os espíritos dos ojés africanos ou brasileiros.
Os Esa são invocados e cultuados em diversas situações, especialmente no padê e no axexê, quando é constituído o assentamento de um adoxu ou dignitário ilustre falecido. O assento de Esa se caracteriza pela representação da existência genérica, e o do egungum pela representação do espírito individualizado. O egungum se caracteriza pela aparição no aiyê. Os Esa e os Egun são invocados no padê.
Calendário Litúrgico
Calendário Litúrgico do Ilê Agboulá (obtido do Projeto Egungun):
As festas e obrigações obedecem, no Ilê Agboulá, a um bem elaborado calendário litúrgico. Durante essas festas, podem ocorrer rituais não periódicos e não obrigatoriamente integrados no calendário, como iniciação de novos Amuixan ou de novos Ojé, ou mesmo obrigações e oferendas de outros titulados da comunidade. Mas o calendário, mesmo, obedece o seguinte:
Janeiro - Em janeiro, por ocasião do ano-novo, as obrigações transcorrem até o dia nove. Esses rituais começam com uma obrigação para Onilê, seguida de outra para Babá Olukotun. Junto com esta, são celebradas as cerimônias anuais em homenagem a Babá Alapalá e Babá Ologbojô.
Fevereiro - em fevereiro, começando no dia 2 e se estendendo por duas semanas, ocorre uma festa muito especial, principalmente porque a comunidade de Itaparica vive do mar e para o mar. É a festa de Iemanjá e Oxum, deusas das águas, e de Oxalá, o deus da criação.
Junho - em junho, na época do São João, realizam-se as festas de Babá Erin, que é o egum de Eduardo Daniel de Paula, fundador da casa. As festas se realizam por ocasião do ciclo de Xangô, que era o orixá de Eduardo. E atingem grande brilhantismo porque, entre a comunidade do Ilê Agboulá, que é descendente do povo de Oyó, a veneração a Xangô é muito forte.
Setembro - De 7 a 17 de setembro, ocorrem as festas de Babá Agboulá. Por essa época é que é feita a colheita dos primeiros frutos na Ilha de Itaparica, sob a proteção de Babá. E isto é muito importante pelo fato de, até bem pouco tempo atrás, a Ilha de Itaparica ter sido o grande fornecedor de frutas para a cidade de Salvador.
Fonte: tinyurl.com/y5rlpbbl
Calendário Litúrgico do Ilê Agboulá (obtido do Projeto Egungun):
As festas e obrigações obedecem, no Ilê Agboulá, a um bem elaborado calendário litúrgico. Durante essas festas, podem ocorrer rituais não periódicos e não obrigatoriamente integrados no calendário, como iniciação de novos Amuixan ou de novos Ojé, ou mesmo obrigações e oferendas de outros titulados da comunidade. Mas o calendário, mesmo, obedece o seguinte:
Janeiro - Em janeiro, por ocasião do ano-novo, as obrigações transcorrem até o dia nove. Esses rituais começam com uma obrigação para Onilê, seguida de outra para Babá Olukotun. Junto com esta, são celebradas as cerimônias anuais em homenagem a Babá Alapalá e Babá Ologbojô.
Fevereiro - em fevereiro, começando no dia 2 e se estendendo por duas semanas, ocorre uma festa muito especial, principalmente porque a comunidade de Itaparica vive do mar e para o mar. É a festa de Iemanjá e Oxum, deusas das águas, e de Oxalá, o deus da criação.
Junho - em junho, na época do São João, realizam-se as festas de Babá Erin, que é o egum de Eduardo Daniel de Paula, fundador da casa. As festas se realizam por ocasião do ciclo de Xangô, que era o orixá de Eduardo. E atingem grande brilhantismo porque, entre a comunidade do Ilê Agboulá, que é descendente do povo de Oyó, a veneração a Xangô é muito forte.
Setembro - De 7 a 17 de setembro, ocorrem as festas de Babá Agboulá. Por essa época é que é feita a colheita dos primeiros frutos na Ilha de Itaparica, sob a proteção de Babá. E isto é muito importante pelo fato de, até bem pouco tempo atrás, a Ilha de Itaparica ter sido o grande fornecedor de frutas para a cidade de Salvador.
Fonte: tinyurl.com/y5rlpbbl
Wikipedia
Culto aos egunguns
O Culto aos Egunguns é o culto aos ancestrais masculinos, uma vez que o culto aos ancestrais femininos denomina-se Gelede na religião iorubá e outras religiões tradicionais africanas.
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 66
Assunto: Encantaria
Parte: 66
Assunto: Encantaria
Encantaria é uma forma de manifestação espiritual e religiosa afro-ameríndia, praticada sobretudo no Piauí, Bahia, Maranhão e Pará. Pode estar associada a diversas religiões presentes nesses estados, como a Pajelança ou Cura, o Terecô (Mata ou Encantaria de Maria Bárbara Soeira), o Babaçuê e o Tambor de Mina.
Diferente da Umbanda, na qual as entidades são espíritos de índios, escravos, etc, que desencarnaram e hoje trabalham individualmente (geralmente usando nomes fictícios), na Encantaria, os encantados não são necessariamente de origem afro-brasileira e não morreram, e sim, se "encantaram", ou seja, desapareceram misteriosamente, tornaram-se invisíveis ou se transformaram em um animal, planta, pedra, ou até mesmo em seres mitológicos e do folclore brasileiro como sereias, botos e curupiras. Na Encantaria, as entidades estão agrupados em famílias e possuem nome, sobrenome e geralmente sabem contar a sua história de quando viveram na terra antes de se encantarem.
Encantaria também pode se referir aos lugares onde tais entidades vivem.
Diferente da Umbanda, na qual as entidades são espíritos de índios, escravos, etc, que desencarnaram e hoje trabalham individualmente (geralmente usando nomes fictícios), na Encantaria, os encantados não são necessariamente de origem afro-brasileira e não morreram, e sim, se "encantaram", ou seja, desapareceram misteriosamente, tornaram-se invisíveis ou se transformaram em um animal, planta, pedra, ou até mesmo em seres mitológicos e do folclore brasileiro como sereias, botos e curupiras. Na Encantaria, as entidades estão agrupados em famílias e possuem nome, sobrenome e geralmente sabem contar a sua história de quando viveram na terra antes de se encantarem.
Encantaria também pode se referir aos lugares onde tais entidades vivem.
Encantaria Piauiense
O Piauí, devido a proximidade com o Maranhão, principalmente Teresina, que fica na divisa dos dois estados e muito próxima da cidade de Codó (Capital Mundial da Feitiçaria), recebe muita influência do Tambor de Mina e da Encantaria Maranhense, além da tradicional Umbanda. Em Teresina é possível encontrar mais de 500 terreiros de cultos afro-brasileiros.
A Encantaria Piauiense é fortemente ligada ao catolicismo popular. No Piauí, os crentes repetem várias vezes certa quadra rogatória de purificação. Depois o Pai-de-Santo dança em volta da guma no centro de um círculo formado por todos os dançantes que giram em torno de si mesmos da direita para a esquerda em volta do mestre. Cânticos são entoados para que algum moço (espírito) se aposse de seu aparelho (filho ou filha-de-santo) e cante sua doutrina, dançando em transe.
O Piauí, devido a proximidade com o Maranhão, principalmente Teresina, que fica na divisa dos dois estados e muito próxima da cidade de Codó (Capital Mundial da Feitiçaria), recebe muita influência do Tambor de Mina e da Encantaria Maranhense, além da tradicional Umbanda. Em Teresina é possível encontrar mais de 500 terreiros de cultos afro-brasileiros.
A Encantaria Piauiense é fortemente ligada ao catolicismo popular. No Piauí, os crentes repetem várias vezes certa quadra rogatória de purificação. Depois o Pai-de-Santo dança em volta da guma no centro de um círculo formado por todos os dançantes que giram em torno de si mesmos da direita para a esquerda em volta do mestre. Cânticos são entoados para que algum moço (espírito) se aposse de seu aparelho (filho ou filha-de-santo) e cante sua doutrina, dançando em transe.
Principais Eventos de Encantaria em Teresina - PI
Lavagem das Escadarias da Igreja São Benedito:Todos os anos no mês de novembro, integrantes de vários terreiros de Umbanda, Candomblé e Tambor de Mina, fazem o ritual de lavagem das escadarias da Igreja São Benedito no centro de Teresina. A igreja foi escolhida por ter um belo adro com cruzeiro e escadarias, além de ser bem centralizada tendo bastante visibilidade, tendo sido construída por mão de obra escrava, e por fim, pelo fato de São Benedito ser o padroeiro dos negros. A lavagem das escadarias da Igreja São Benedito em Teresina geralmente faz parte da programação em comemoração ao Dia da Consciência Negra.
Festa de Iemanjá em Teresina: Todos os anos em fevereiro, vários fiéis ocupam o antigo cais do Rio Parnaíba no centro de Teresina, levando velas azuis, flores brancas, água de cheiro e outros presentes para agradar Iemanjá, tida como a Mãe d'água (folclore) pelos cultos afro-brasileiros. A deusa das águas também é homenageada às margens do Rio Poti, na zona nobre de Teresina.
Cultura Negra Estaiada na Ponte: Evento que faz parte das comemorações do aniversário de Teresina, e que tem o objetivo de promover a cultura negra e lutar pela igualdade racial e contra a intolerância religiosa. O evento conta com apoio de grupos de cultura negra e terreiros de Umbanda do Piauí e Maranhão. A primeira edição ocorreu em agosto de 2013 e teve a partcipação do famoso Pai-de-Santo Bita do Barão de Codó (MA).
Lavagem das Escadarias da Igreja São Benedito:Todos os anos no mês de novembro, integrantes de vários terreiros de Umbanda, Candomblé e Tambor de Mina, fazem o ritual de lavagem das escadarias da Igreja São Benedito no centro de Teresina. A igreja foi escolhida por ter um belo adro com cruzeiro e escadarias, além de ser bem centralizada tendo bastante visibilidade, tendo sido construída por mão de obra escrava, e por fim, pelo fato de São Benedito ser o padroeiro dos negros. A lavagem das escadarias da Igreja São Benedito em Teresina geralmente faz parte da programação em comemoração ao Dia da Consciência Negra.
Festa de Iemanjá em Teresina: Todos os anos em fevereiro, vários fiéis ocupam o antigo cais do Rio Parnaíba no centro de Teresina, levando velas azuis, flores brancas, água de cheiro e outros presentes para agradar Iemanjá, tida como a Mãe d'água (folclore) pelos cultos afro-brasileiros. A deusa das águas também é homenageada às margens do Rio Poti, na zona nobre de Teresina.
Cultura Negra Estaiada na Ponte: Evento que faz parte das comemorações do aniversário de Teresina, e que tem o objetivo de promover a cultura negra e lutar pela igualdade racial e contra a intolerância religiosa. O evento conta com apoio de grupos de cultura negra e terreiros de Umbanda do Piauí e Maranhão. A primeira edição ocorreu em agosto de 2013 e teve a partcipação do famoso Pai-de-Santo Bita do Barão de Codó (MA).
Encantaria Maranhense
No estado do Maranhão, o culto aos encantados é uma parte muito importante do tambor de mina (estando ausente apenas na Casa das Minas) e do terecô. A encantaria é presente em praticamente todo o estado, tendo atravessado as fronteiras do Maranhão e chegando a estados vizinho como o Piauí e o Pará. Mas, a verdade é que muitas entidades da encantaria de mina do Maranhão já pode ser encontrada em tendas de todo o Brasil. Os maiores centros de encantaria são as cidades de São Luís, Codó, Caxias, e Cururupu, todas no Maranhão, e também Teresina (Piauí) e Belém do Pará.
No tambor de mina e no terecô, são cultuadas diversas divindades de origens diversas, tais como africanas (Voduns e certos Orixás), católicas (o Deus único, o Espírito Santo e a Virgem Maria) e encantados, que são chamados de gentis (se forem nobres de origem europeia) ou de caboclos (de origem nativa ou não, como os "turcos", reis mouros).
Os encantados do Maranhão estão agrupados em famílias, tem nomes próprios e contam suas histórias de quando viveram na Terra, sendo recebidos em transe mediúnico,. Eles dizem que estar encantado é como viver em um mundo congelado, pois eles vêem as coisas acontecerem ao redor, mas ninguém pode vê-los, eles estão invisíveis. Os lugares onde eles se encontram encantados fazem referências a diversas coisas e lugares do estado como as matas de Codó, o Boqueirão, a Pedra de Itacolomi, ilhas e a famosa Praia dos Lençóis, onde se encontra o Reinado do Rei Dom Sebastião. No Maranhão, não necessariamente um caboclo é uma entidade indígena.
No estado do Maranhão, o culto aos encantados é uma parte muito importante do tambor de mina (estando ausente apenas na Casa das Minas) e do terecô. A encantaria é presente em praticamente todo o estado, tendo atravessado as fronteiras do Maranhão e chegando a estados vizinho como o Piauí e o Pará. Mas, a verdade é que muitas entidades da encantaria de mina do Maranhão já pode ser encontrada em tendas de todo o Brasil. Os maiores centros de encantaria são as cidades de São Luís, Codó, Caxias, e Cururupu, todas no Maranhão, e também Teresina (Piauí) e Belém do Pará.
No tambor de mina e no terecô, são cultuadas diversas divindades de origens diversas, tais como africanas (Voduns e certos Orixás), católicas (o Deus único, o Espírito Santo e a Virgem Maria) e encantados, que são chamados de gentis (se forem nobres de origem europeia) ou de caboclos (de origem nativa ou não, como os "turcos", reis mouros).
Os encantados do Maranhão estão agrupados em famílias, tem nomes próprios e contam suas histórias de quando viveram na Terra, sendo recebidos em transe mediúnico,. Eles dizem que estar encantado é como viver em um mundo congelado, pois eles vêem as coisas acontecerem ao redor, mas ninguém pode vê-los, eles estão invisíveis. Os lugares onde eles se encontram encantados fazem referências a diversas coisas e lugares do estado como as matas de Codó, o Boqueirão, a Pedra de Itacolomi, ilhas e a famosa Praia dos Lençóis, onde se encontra o Reinado do Rei Dom Sebastião. No Maranhão, não necessariamente um caboclo é uma entidade indígena.
Pajelança
No Maranhão, desde meados do século XIX, utiliza-se o termo Pajelança (ou Cura, e que não deve ser confundida com a pajelança cabocla) para um sistema médico-religioso, com rituais de especialistas religiosos negros destinados à "cura de feitiço", na qual se cultua e entra em transe principalmente com entidades não africanas - nobres, como Rei Sebastião, princesas e caboclos e outras, algumas vezes encantadas em animais (pássaros, peixes, répteis e mamíferos). No contexto maranhense, embora se costume relacionar a Cura (pajelança de negro ou de terreiro) à cultura indígena, ela mais se aproxima do Tambor de Mina.
No seculo XIX, com a medicina pouco desenvolvida, os pajés eram procurados pela população, pois conheciam remédios caseiros, bem como para curar doenças e desmanchar feitiços. Com a organização dos serviços médicos, a pajelança foi combatida pelo poder público. Tornou-se notório o caso de Amélia Rosa, negra alforriada que foi denominada "rainha da pajelança". A primeira pajé negra a ter o nome amplamente divulgado foi presa, em 1876, enquanto realizava rituais em sua casa, e condenada a 10 anos de prisão, ao ser processada por sevícias em uma escrava que declarou tê-la procurado por problemas de saúde.
Embora rituais de Pajelança estejam ausentes na Casa das Minas e na Casa de Nagô, os terreiros mais antigos do estado, muitos curadores e pajés abriram terreiros de Mina, já no século XIX e, em especial, nos anos 1930, para fugir da perseguição policial, acusados de curandeirismo. Na década de 60, iniciaram também ligações com a Umbanda. O pajé pode ser também apresentado como "ave de encantado", assim como se utiliza o termo "cavalo" para médiuns.
Em alguns terreiros, se realizam tanto rituais de Mina como de Cura ou Pajelança, em um ritual público festivo chamado de Brinquedo de Cura. No ritual, o pajé utiliza um penacho de arara na mão e um maracá, tocado por ele durante as cerimônias, com canto e dança, dando passagem a grande número de entidades, com uma pluralidade de transes (no que também difere do que ocorre no Tambor de Mina). Em Cururupu, esses rituais de Cura são conhecidos como Tambor de Curador.
É dito que os encantados que participam das duas "navegam nas duas águas", sendo a Mina classificada como "linha de água salgada" e a Cura/Pajelança como "linha de água doce". Em Codó, no terecô, os encantados pertenceriam à "linha da mata".
No Maranhão, desde meados do século XIX, utiliza-se o termo Pajelança (ou Cura, e que não deve ser confundida com a pajelança cabocla) para um sistema médico-religioso, com rituais de especialistas religiosos negros destinados à "cura de feitiço", na qual se cultua e entra em transe principalmente com entidades não africanas - nobres, como Rei Sebastião, princesas e caboclos e outras, algumas vezes encantadas em animais (pássaros, peixes, répteis e mamíferos). No contexto maranhense, embora se costume relacionar a Cura (pajelança de negro ou de terreiro) à cultura indígena, ela mais se aproxima do Tambor de Mina.
No seculo XIX, com a medicina pouco desenvolvida, os pajés eram procurados pela população, pois conheciam remédios caseiros, bem como para curar doenças e desmanchar feitiços. Com a organização dos serviços médicos, a pajelança foi combatida pelo poder público. Tornou-se notório o caso de Amélia Rosa, negra alforriada que foi denominada "rainha da pajelança". A primeira pajé negra a ter o nome amplamente divulgado foi presa, em 1876, enquanto realizava rituais em sua casa, e condenada a 10 anos de prisão, ao ser processada por sevícias em uma escrava que declarou tê-la procurado por problemas de saúde.
Embora rituais de Pajelança estejam ausentes na Casa das Minas e na Casa de Nagô, os terreiros mais antigos do estado, muitos curadores e pajés abriram terreiros de Mina, já no século XIX e, em especial, nos anos 1930, para fugir da perseguição policial, acusados de curandeirismo. Na década de 60, iniciaram também ligações com a Umbanda. O pajé pode ser também apresentado como "ave de encantado", assim como se utiliza o termo "cavalo" para médiuns.
Em alguns terreiros, se realizam tanto rituais de Mina como de Cura ou Pajelança, em um ritual público festivo chamado de Brinquedo de Cura. No ritual, o pajé utiliza um penacho de arara na mão e um maracá, tocado por ele durante as cerimônias, com canto e dança, dando passagem a grande número de entidades, com uma pluralidade de transes (no que também difere do que ocorre no Tambor de Mina). Em Cururupu, esses rituais de Cura são conhecidos como Tambor de Curador.
É dito que os encantados que participam das duas "navegam nas duas águas", sendo a Mina classificada como "linha de água salgada" e a Cura/Pajelança como "linha de água doce". Em Codó, no terecô, os encantados pertenceriam à "linha da mata".
Famílias da Encantaria
Família do Lençol: Encantada na Praia dos Lençóis, composta por reis, rainhas, príncipes, princesas e outros nobres e gentis, como Dom Sebastião, Dom Luís, Dom Manoel, Rainha Bárbara Soeira;
Família do Codó: Família que veio beirando o mar até chegar nas matas de Codó, composta por negros, caboclos selvagens e vaqueiros, e têm como líder Légua-Boji;
Família da Turquia: Agregada a Família do Lençol, é composta por nobres de origem turca, cuja encantada mais famosa é Dona Mariana.
Família da Bandeira: Composta por guerreiros, bandeirantes, caçadores e pescadores, chefiada por João da Mata Rei da Bandeira.
Família da Gama: Composta por nobres e fidalgos orgulhosos, como Dom Miguel da Gama, Rainha Anadiê, Baliza da Gama, Boço Sanatiel;
Família da Bahia: Composta por caboclos farristas que se assemelham aos exus e pombagiras;
Família de Surrupira: Composta por índios selvagens e feiticeiros, como Vó Surrupira, Índio Velho.
Família do Lençol: Encantada na Praia dos Lençóis, composta por reis, rainhas, príncipes, princesas e outros nobres e gentis, como Dom Sebastião, Dom Luís, Dom Manoel, Rainha Bárbara Soeira;
Família do Codó: Família que veio beirando o mar até chegar nas matas de Codó, composta por negros, caboclos selvagens e vaqueiros, e têm como líder Légua-Boji;
Família da Turquia: Agregada a Família do Lençol, é composta por nobres de origem turca, cuja encantada mais famosa é Dona Mariana.
Família da Bandeira: Composta por guerreiros, bandeirantes, caçadores e pescadores, chefiada por João da Mata Rei da Bandeira.
Família da Gama: Composta por nobres e fidalgos orgulhosos, como Dom Miguel da Gama, Rainha Anadiê, Baliza da Gama, Boço Sanatiel;
Família da Bahia: Composta por caboclos farristas que se assemelham aos exus e pombagiras;
Família de Surrupira: Composta por índios selvagens e feiticeiros, como Vó Surrupira, Índio Velho.
Codó - Capital da Feitiçaria
Cidade maranhense mais acessível através de Teresina no Piauí. A fama de Capital da Feitiçaria ou da magia negra surgiu porque antes dos primeiros terreiros, havia em Codó, afamados feiticeiros que aceitavam dinheiro para fazer trabalhos de vingança e também conceituados rezadores e raizeiros que praticavam curas. Depois com o surgimento dos terreiros, virou local de peregrinação de políticos em busca de auxílio para suas posições e governos. Logo, a quantidade de terreiros cresceu muito, o que ajudou ainda mais na fama da cidade. Em Codó, a pratica desses cultos espirituais é denominada de Encantaria de Maria Bárbara Soeira, ou Terecô, como também é mais conhecido em Teresina e outras cidades do Piauí. As entidades mais conhecidas na região de Codó são as da família do Seu Légua Boji Buá da Trindade.
Ponto Cantado de Abertura na Encantaria
"Eu vou chamar pelo meu povo para trabalhar
Maria Bárbara Soeira já vem beirando o mar
Ela vem beirando o mar... Ela vem beirando o mar
Maria Bárbara Soeira já vem beirando o mar"
Cidade maranhense mais acessível através de Teresina no Piauí. A fama de Capital da Feitiçaria ou da magia negra surgiu porque antes dos primeiros terreiros, havia em Codó, afamados feiticeiros que aceitavam dinheiro para fazer trabalhos de vingança e também conceituados rezadores e raizeiros que praticavam curas. Depois com o surgimento dos terreiros, virou local de peregrinação de políticos em busca de auxílio para suas posições e governos. Logo, a quantidade de terreiros cresceu muito, o que ajudou ainda mais na fama da cidade. Em Codó, a pratica desses cultos espirituais é denominada de Encantaria de Maria Bárbara Soeira, ou Terecô, como também é mais conhecido em Teresina e outras cidades do Piauí. As entidades mais conhecidas na região de Codó são as da família do Seu Légua Boji Buá da Trindade.
Ponto Cantado de Abertura na Encantaria
"Eu vou chamar pelo meu povo para trabalhar
Maria Bárbara Soeira já vem beirando o mar
Ela vem beirando o mar... Ela vem beirando o mar
Maria Bárbara Soeira já vem beirando o mar"
Encantaria Paraense
Na região amazônica, a crença nos encantados está difundida em grande parte da região. O encantado é um elemento central da pajelança cabocla, que teve forte influência ameríndia e, posteriormente, influência negra, dando origem ao babaçuê. Na ilha de Marajó, seres encantados como o boto, a cobra grande, iara, vitória régia, sereias, matintas, estão intimamente ligados aos elementos da natureza como o mar, baías, rios, furos, estreitos, lagos, igarapés, igapós, campos inundados como representações das moradas dos encantados.
No final do século XIX, o Tambor de Mina chegou ao Pará, vindo do Maranhão, com a fundação de terreiros como o Terreiro de Tambor de Mina Dois Irmãos.
Como exemplo de encantaria no Pará, está o culto às Três Princesas Turcas: Princesa Mariana, Princesa Erondina, Princesa Jarina, de origem moura e que teriam se "encantado" na ilha dos Lençóis.
Na região amazônica, a crença nos encantados está difundida em grande parte da região. O encantado é um elemento central da pajelança cabocla, que teve forte influência ameríndia e, posteriormente, influência negra, dando origem ao babaçuê. Na ilha de Marajó, seres encantados como o boto, a cobra grande, iara, vitória régia, sereias, matintas, estão intimamente ligados aos elementos da natureza como o mar, baías, rios, furos, estreitos, lagos, igarapés, igapós, campos inundados como representações das moradas dos encantados.
No final do século XIX, o Tambor de Mina chegou ao Pará, vindo do Maranhão, com a fundação de terreiros como o Terreiro de Tambor de Mina Dois Irmãos.
Como exemplo de encantaria no Pará, está o culto às Três Princesas Turcas: Princesa Mariana, Princesa Erondina, Princesa Jarina, de origem moura e que teriam se "encantado" na ilha dos Lençóis.
Rei Sebastião e o Touro Encantado dos Lençóis
O touro encantado da Praia da ilha dos Lençóis é um grande touro negro, com uma estrela brilhante na testa, que aparece misteriosamente em noites de sexta-feira. Dizem que Dom Sebastião aparece na praia na forma do touro negro. Se alguém conseguir atingir a estrela e ferir o touro, o reino será desencantado, a cidade de São Luís irá submergir e aparecerá uma cidade encantada com os tesouros do rei."
Alguns dizem que Dom Sebastião costuma aparecer principalmente em junho, durante as festas do bumba-meu-boi, e em agosto, época do aniversário da batalha de Alcácer-Quibir. Dizem também que atualmente o Rei Sebastião já não está mais aparecendo porque “a Praia dos Lençóis está sendo muito visitada e já possui muitos moradores”.
"Afirma-se que as dunas de areia da Praia dos Lençóis têm semelhanças com o campo de Alcácer-Quibir, onde el rei dom Sebastião desapareceu. Lençóis é considerada uma praia encantada, que serve de morada a Dom Sebastião. Seu reino está oculto no fundo do mar, próximo aquela praia. O rei vive em seu palácio submerso e seu navio nunca encontra a rota para Portugal.
Conta-se ainda que tudo o que existe em Lençóis pertence ao Rei Sebastião e que ninguém pode se apropriar do que é seu. Quem tentar levar alguma coisa que pertence à praia terá que devolver o quanto antes, sob pena de arriscar a própria vida e a de todos os seus companheiros. O barco pode afundar e levar todos para a morada de Dom Sebastião, identificada como o Reino ou Palácio de Queluz (embora este só tenha sido construído no século XVIII, na cidade de Sintra, muito depois de sua época).
Num dos cânticos do Tambor de Mina, o Rei Touro é lembrado: "Rei Sebastião, guerreiro militar. Rei Sebastião, guerreiro militar. E quem desencantar lençol, põe abaixo o Maranhão".
Nesse culto, diz-se que, na praia dos Lençóis, mora toda uma família de encantados, formada apenas por reis e fidalgos, como a Família da Turquia, chefiada por um rei mouro, Dom João de Barabaia, que lutou contra os cristãos. É a esta família que pertence a Bela Turca, a Cabocla Mariana, que vem ao mundo não apenas na forma de turca, mas também como marinheira, cigana ou índia.
A vinda do Rei Dom Sebastião ao corpo de um sacerdote é muito rara, alguns falam que ocorre de sete em sete anos.
O touro encantado da Praia da ilha dos Lençóis é um grande touro negro, com uma estrela brilhante na testa, que aparece misteriosamente em noites de sexta-feira. Dizem que Dom Sebastião aparece na praia na forma do touro negro. Se alguém conseguir atingir a estrela e ferir o touro, o reino será desencantado, a cidade de São Luís irá submergir e aparecerá uma cidade encantada com os tesouros do rei."
Alguns dizem que Dom Sebastião costuma aparecer principalmente em junho, durante as festas do bumba-meu-boi, e em agosto, época do aniversário da batalha de Alcácer-Quibir. Dizem também que atualmente o Rei Sebastião já não está mais aparecendo porque “a Praia dos Lençóis está sendo muito visitada e já possui muitos moradores”.
"Afirma-se que as dunas de areia da Praia dos Lençóis têm semelhanças com o campo de Alcácer-Quibir, onde el rei dom Sebastião desapareceu. Lençóis é considerada uma praia encantada, que serve de morada a Dom Sebastião. Seu reino está oculto no fundo do mar, próximo aquela praia. O rei vive em seu palácio submerso e seu navio nunca encontra a rota para Portugal.
Conta-se ainda que tudo o que existe em Lençóis pertence ao Rei Sebastião e que ninguém pode se apropriar do que é seu. Quem tentar levar alguma coisa que pertence à praia terá que devolver o quanto antes, sob pena de arriscar a própria vida e a de todos os seus companheiros. O barco pode afundar e levar todos para a morada de Dom Sebastião, identificada como o Reino ou Palácio de Queluz (embora este só tenha sido construído no século XVIII, na cidade de Sintra, muito depois de sua época).
Num dos cânticos do Tambor de Mina, o Rei Touro é lembrado: "Rei Sebastião, guerreiro militar. Rei Sebastião, guerreiro militar. E quem desencantar lençol, põe abaixo o Maranhão".
Nesse culto, diz-se que, na praia dos Lençóis, mora toda uma família de encantados, formada apenas por reis e fidalgos, como a Família da Turquia, chefiada por um rei mouro, Dom João de Barabaia, que lutou contra os cristãos. É a esta família que pertence a Bela Turca, a Cabocla Mariana, que vem ao mundo não apenas na forma de turca, mas também como marinheira, cigana ou índia.
A vinda do Rei Dom Sebastião ao corpo de um sacerdote é muito rara, alguns falam que ocorre de sete em sete anos.