A escola Shin, ou Verdadeira Escola da Terra Pura (jap. Jôdo Shinshû), surgiu no Japão a partir dos ensinamentos de Shinran Shônin (ou Kenshin Daishi, 1173-1262), embora ele não tivesse fundado oficialmente uma escola. Shinran tinha uma grande admiração pelo seu mestre Hônen e usava a expressão japonesa Shin — verdadeira, correta, autêntica — para designar os ensinamentos recebidos de Hônen através de uma linhagem de patriarcas que vinha desde a Índia, passando pela China e chegando ao Japão sem nunca ter se quebrado.
"Como houve uma época em que a doutrina da recitação do nome de Amitabha foi proibida por um édito imperial, e como Hônen e Shinran foram exilados em províncias distantes, as escolas Jôdo e Jôdo Shin acabaram por se formar e se desenvolver de maneira independente.
No Ocidente, Daisetz Suzuki será provavelmente sempre lembrado como o homem que trouxe o Zen par aos Estados Unidos quase sozinho, pois esse é o lado que ele mostra nos seus escritos em inglês. Entrementes, porém, em livros para o seu próprio povo (os quais não foram traduzidos para o inglês senão depois da sua morte) ele mergulhava cada vez mais fundo nos escritos da escola Terra Pura para demonstrar a unidade essencial do buddhismo Mahayana como um todo. Mas para o Ocidente que tinha sido exposto quase totalmente aos escritos sobre o Zen de Suzuki seria surpreendente descobri-lo escrevendo que ” de todos os desenvolvimentos que o buddhismo Mahayana realizou no Oriente, o mais notável é, de acordo com o meu julgamento, o ensinamento Shin da escola da Terra Pura."
(Huston Smith e Philip Novak, Budismo)
Shinran nasceu no clã Fujiwara, na vila de Hino a sudeste de Kyôtô, recebendo o nome Matsuwaka-maru. A época em que Shinran viveu, particularmente da infância ate a adolescência, foi um período conturbado da história do Japão. Os clãs guerreiros haviam se insurgido contra o governo reinante da nobreza, liderado pelo clã Fujiwara. Além disso, terremotos, fome e doenças assolavam a capital.
Seu pai, um aristocrata menor chamado Hino Arinori, era um membro da família do clã dos Fujiwara. Sua mãe provavelmente faleceu quando Shinran estava com oito anos de idade. Aos nove anos, foi levado por seu tio Noritsuna ao templo Shoren-in em Higashiyama, Kyôtô, tornando-se discípulo do monge Jien Sojo e recebendo o nome Hannen.
“Quando tinha nove anos, o futuro mestre Shinran decidido que queria ser monge e pediu ao ao ilustre Mestre Tendai e historiador JiIEN (1155 – 1225) que o tonsurasse.” (Rev. Ricardo Mario Gonçalves)
Partiu então para o templo Mudô-ji-dani Daijô-in no monte Hiei, sede da escola Tendai. Shinran era um doso, um monge subalterno que conduzia cerimônias nos vários templos do Monte Hiei. Ele se dedicou aos mil dias de auto-disciplina (jap. sennichi-gyô). No templo Saitô Seikô-in, dedicou-se ao serviço do Buddha Amitabha como membro do Jôgyô-dô.
Na visitação de cem dias ao templo Rokkaku-dô, ele rezou ao príncipe regente japonês Shôtoku (considerado uma emanação do bodhisattva Avalokiteshvara), pedindo que lhe fosse revelado o caminho a ser seguido. Em 1201, na madrugada no nonagésimo quinto dia de seu retiro, seu amigo Seikaku levou-o a Hônen Shônin, que se tornou seu mestre ao encontrá-lo em Yoshimizu, Kyôtô. Mudou seu nome para Shakku e depois para Zenshin.
Ele abandonou o celibato monástico e se casou com Eshinni, filha de um samurai de alto escalão. Shinran definia-se como “nem monge nem leigo”. Mesmo deixando votos monásticos tradicionais como o celibato e o vegetarianismo, Shinran demonstrou a legitimidade da prática do buddhismo no lar (jap. zaikeojô).
Quando o ensinamento do nenbutsu foi proibido, Hônen Shônin foi exilado para a ilha de Shikoku e Shinran foi exilado para Kokubu, em Echigo (atual Niigata). Foi perdoado em 1211, e ao saber da morte de Hônen, Shiran decidiu permanecer lá até 1214, prosseguindo depois pra Hitachi (atual Ibaragi), onde ensinou a recitação do nome do Buddha Amitabha. Dez anos depois, escreveu seu Ensinamento, Prática, Fé e Realização (jap. Kyô Gyô Shin Shô) em seis volumes. Nesta obra, ele cita su
"Como houve uma época em que a doutrina da recitação do nome de Amitabha foi proibida por um édito imperial, e como Hônen e Shinran foram exilados em províncias distantes, as escolas Jôdo e Jôdo Shin acabaram por se formar e se desenvolver de maneira independente.
No Ocidente, Daisetz Suzuki será provavelmente sempre lembrado como o homem que trouxe o Zen par aos Estados Unidos quase sozinho, pois esse é o lado que ele mostra nos seus escritos em inglês. Entrementes, porém, em livros para o seu próprio povo (os quais não foram traduzidos para o inglês senão depois da sua morte) ele mergulhava cada vez mais fundo nos escritos da escola Terra Pura para demonstrar a unidade essencial do buddhismo Mahayana como um todo. Mas para o Ocidente que tinha sido exposto quase totalmente aos escritos sobre o Zen de Suzuki seria surpreendente descobri-lo escrevendo que ” de todos os desenvolvimentos que o buddhismo Mahayana realizou no Oriente, o mais notável é, de acordo com o meu julgamento, o ensinamento Shin da escola da Terra Pura."
(Huston Smith e Philip Novak, Budismo)
Shinran nasceu no clã Fujiwara, na vila de Hino a sudeste de Kyôtô, recebendo o nome Matsuwaka-maru. A época em que Shinran viveu, particularmente da infância ate a adolescência, foi um período conturbado da história do Japão. Os clãs guerreiros haviam se insurgido contra o governo reinante da nobreza, liderado pelo clã Fujiwara. Além disso, terremotos, fome e doenças assolavam a capital.
Seu pai, um aristocrata menor chamado Hino Arinori, era um membro da família do clã dos Fujiwara. Sua mãe provavelmente faleceu quando Shinran estava com oito anos de idade. Aos nove anos, foi levado por seu tio Noritsuna ao templo Shoren-in em Higashiyama, Kyôtô, tornando-se discípulo do monge Jien Sojo e recebendo o nome Hannen.
“Quando tinha nove anos, o futuro mestre Shinran decidido que queria ser monge e pediu ao ao ilustre Mestre Tendai e historiador JiIEN (1155 – 1225) que o tonsurasse.” (Rev. Ricardo Mario Gonçalves)
Partiu então para o templo Mudô-ji-dani Daijô-in no monte Hiei, sede da escola Tendai. Shinran era um doso, um monge subalterno que conduzia cerimônias nos vários templos do Monte Hiei. Ele se dedicou aos mil dias de auto-disciplina (jap. sennichi-gyô). No templo Saitô Seikô-in, dedicou-se ao serviço do Buddha Amitabha como membro do Jôgyô-dô.
Na visitação de cem dias ao templo Rokkaku-dô, ele rezou ao príncipe regente japonês Shôtoku (considerado uma emanação do bodhisattva Avalokiteshvara), pedindo que lhe fosse revelado o caminho a ser seguido. Em 1201, na madrugada no nonagésimo quinto dia de seu retiro, seu amigo Seikaku levou-o a Hônen Shônin, que se tornou seu mestre ao encontrá-lo em Yoshimizu, Kyôtô. Mudou seu nome para Shakku e depois para Zenshin.
Ele abandonou o celibato monástico e se casou com Eshinni, filha de um samurai de alto escalão. Shinran definia-se como “nem monge nem leigo”. Mesmo deixando votos monásticos tradicionais como o celibato e o vegetarianismo, Shinran demonstrou a legitimidade da prática do buddhismo no lar (jap. zaikeojô).
Quando o ensinamento do nenbutsu foi proibido, Hônen Shônin foi exilado para a ilha de Shikoku e Shinran foi exilado para Kokubu, em Echigo (atual Niigata). Foi perdoado em 1211, e ao saber da morte de Hônen, Shiran decidiu permanecer lá até 1214, prosseguindo depois pra Hitachi (atual Ibaragi), onde ensinou a recitação do nome do Buddha Amitabha. Dez anos depois, escreveu seu Ensinamento, Prática, Fé e Realização (jap. Kyô Gyô Shin Shô) em seis volumes. Nesta obra, ele cita su
tras, tratados e comentários, apresentando suas principais ideias.
Depois de vinte anos, retornou a Kyôtô e continuou sua obra literária até o final de sua vida. Escreveu outros trabalhos e coleções de hinos, como o Shôzômatsu Wasan. De acordo com o seu Hino da Fé Verdadeira no Nenbutsu (jap. Shôshin Nenbutsu Ge), é possível alcançar a iluminação através da repetição do nome de Amitabha, e a fé na recitação do nenbutsu garante o renascimento na Terra Pura. Segundo Shinran, não há mente confiante separada da recitação do nome de Amitabha.
"Existe um meio fácil de nascer na Terra Pura. É só se concentrar na recitação do nenbutsu, diz Hônen. Shinran encontrou refúgio no ensinamento de Hônen, mas levou-o a um nível ainda mais profundo. É fácil, ensinou Shinran, simplesmente recitar o nenbutsu, mas é muito mais difícil encontrar refúgio no buddha, honestamente e sem restrições, como uma criança faria. “Sem restrições” quer dizer descartar toas as nossas noções e conhecimentos preconcebidos. Devemos nos transformar em crianças inocentes, e isso é uma coisa difícil de fazer.
Além do mais, encontrar refúgio não é algo que se decida fazer conscientemente e que se alcance com um pouco de esforço. Pelo contrário, é-se naturalmente atraído para o refúgio pelo próprio poder magnânimo. A frase “não há nada que eu possa fazer” é, creio, uma perfeita expressão disso. Recitar o nenbutsu, “Namu Amida Butsu”, não é curvar-se diante do Buddha e jurar a fé que nele se tem. Não é um esforço consciente de abandonar seu eu anterior. Não, é-se espontaneamente atraído para o ponto onde não se pode deixar de fazer isso. […]
O pensamento de Shinran chegou ao ponto de ele declarar que “o Buddha supremo não tem forma”. O Buddha Amitabha, em última análise, é “um meio de expressar Aquilo que É”. Um Buddha em qualquer forma, seja uma estátua ou uma pintura, é uma representação narrativa, apenas um meio de expressão visual. Por trás da imagem, encontra-se jinen hoji, a infinita força vital do universo e a luz da verdade que ilumina toda a existência. […]
A Verdadeira Escola da Terra Pura que Shinran fundou baseia-se em seu ensinamento do Outro Poder; ela não nos diz para tentarmos nos livrar de nossas obstruções e desejos. Isso a distingue das outras escolas do buddhismo japonês. Na verdade, é diferente do buddhismo da Índia e da China também."
(Hiroyuki Itsuki, Tariki)
Depois de vinte anos, retornou a Kyôtô e continuou sua obra literária até o final de sua vida. Escreveu outros trabalhos e coleções de hinos, como o Shôzômatsu Wasan. De acordo com o seu Hino da Fé Verdadeira no Nenbutsu (jap. Shôshin Nenbutsu Ge), é possível alcançar a iluminação através da repetição do nome de Amitabha, e a fé na recitação do nenbutsu garante o renascimento na Terra Pura. Segundo Shinran, não há mente confiante separada da recitação do nome de Amitabha.
"Existe um meio fácil de nascer na Terra Pura. É só se concentrar na recitação do nenbutsu, diz Hônen. Shinran encontrou refúgio no ensinamento de Hônen, mas levou-o a um nível ainda mais profundo. É fácil, ensinou Shinran, simplesmente recitar o nenbutsu, mas é muito mais difícil encontrar refúgio no buddha, honestamente e sem restrições, como uma criança faria. “Sem restrições” quer dizer descartar toas as nossas noções e conhecimentos preconcebidos. Devemos nos transformar em crianças inocentes, e isso é uma coisa difícil de fazer.
Além do mais, encontrar refúgio não é algo que se decida fazer conscientemente e que se alcance com um pouco de esforço. Pelo contrário, é-se naturalmente atraído para o refúgio pelo próprio poder magnânimo. A frase “não há nada que eu possa fazer” é, creio, uma perfeita expressão disso. Recitar o nenbutsu, “Namu Amida Butsu”, não é curvar-se diante do Buddha e jurar a fé que nele se tem. Não é um esforço consciente de abandonar seu eu anterior. Não, é-se espontaneamente atraído para o ponto onde não se pode deixar de fazer isso. […]
O pensamento de Shinran chegou ao ponto de ele declarar que “o Buddha supremo não tem forma”. O Buddha Amitabha, em última análise, é “um meio de expressar Aquilo que É”. Um Buddha em qualquer forma, seja uma estátua ou uma pintura, é uma representação narrativa, apenas um meio de expressão visual. Por trás da imagem, encontra-se jinen hoji, a infinita força vital do universo e a luz da verdade que ilumina toda a existência. […]
A Verdadeira Escola da Terra Pura que Shinran fundou baseia-se em seu ensinamento do Outro Poder; ela não nos diz para tentarmos nos livrar de nossas obstruções e desejos. Isso a distingue das outras escolas do buddhismo japonês. Na verdade, é diferente do buddhismo da Índia e da China também."
(Hiroyuki Itsuki, Tariki)
O ensinamento central de Shinran é a mente confiante (jap. shinjin), a entrega ao voto original de Amitabha e a negação do próprio poder. As práticas do próprio poder incluem todas as práticas diferentes da recitação do nome de Amitabha e até mesmo esta recitação, se for feita sem a entrega total ao voto original de Amitabha. Segundo Shinran, não é possível salvar os outros com o próprio poder; seria necessário confiar primeiro no poder de Amitabha e atingir a iluminação na Terra Pura. A mente confiante tem três aspectos (jap. sanshin): a mente pura (jap. junshin), que confia sinceramente; a mente única (jap. isshin), que confia só no Buddha Amitabha; a mente contínua (jap, sôkushin), cuja confiança é ininterrupta, mesmo quando outros pensamentos surgem.
"Devido à importância do Buddha Amitabha no buddhismo Terra Pura, muita gente parece achar que se trata de uma religião que adora o Buddha como um deus e que o Buddha é uma espécie de representação visual dele — uma imagem, uma pintura, algo modelado na figura de um ser humano. Mas, se olharmos para a verdadeira essência dos ensinamentos de Shinran, veremos que a imagem do Buddha é meramente um meio de assistir a fé.
À parte os poucos escolhidos que se envolvem numa prática religiosa especial, ou encontram a fé após sofrer algum tipo de despertar espiritual, é difícil para a maioria das pessoas apreender a realidade de seres invisíveis como deuses ou buddhas. É difícil para nós assimilá-los no nível emocional. E então, estátuas e pinturas dos buddhas tornaram-se objetos de veneração. Contaram-se todos os tipos de histórias buddhistas. Mas nada disso expressa necessariamente a essência da religião. A estátua ou pintura do Buddha, pousada com dignidade no templo, é uma nau para levar pessoas sofredoras à distante margem da paz e da tranqüilidade, uma lanterna para levar luz a um lugar escuro. Tais ícones são encarados como seres benéficos, estendendo a mão para nós, confusos, perdidos, tomando-nos pelas mãos e levando-nos na direção certa. É por isso que unimos nossas mãos em prece, curvamos a cabeça e agradecemos diante dessas imagens.
Mas esse não é o nosso objetivo. A verdadeira realidade concebida por Shinran, o lugar para onde todos serão finalmente conduzidos, era a Terra Pura, acima de todas as imagens. A Verdadeira Escola da Terra Pura, fundada por Shinran e depois popularizada por Rennyo, chamava a esse objeto primário da fé e da veneração do myôgo (nome). Esse nome era constituído de seis, oito ou às vezes dez caracteres chineses escritos num pedaço de papel, e este era venerado. A maioria desses myogo consistia dos caracteres Namu Amida Butsu ou “Encontro refúgio no Buddha Amitabha”.
O que significa venerar essas palavras escritas, e que relação elas têm com nosso próprio sofrimento? O Buddha de Shinran era o conceito Namu Amida Butsu, e essa idéia não é como um Buddha concreto que pode ser visto com os olhos. A Terra Pura é, como a própria fé, invisível. Um mundo em uma escala infinita. É tempo eterno — algo que transcendeu todos os conceitos de tempo. É isso que Shinran expressava com as palavras Amida Butsu. Namu significa “refugiar-se em”. Refugiar-se em alguma coisa quer dizer ajoelhar-se diante dela, abaixar a cabeça, entregar-se a ela completamente e fazer o voto de unir-se a ela. Rennyo desenvolveu o nenbutsu de Shinran, de refugiar-se no Buddha, em um nenbutsu que era uma expressão de alegria e gratidão por encontrar o Buddha, e foi essa forma que se popularizou. […]
Em vez de recitar Namu Amida Butsu ou Namo Amida Butsu, enunciando claramente cada sílaba, muitos japoneses idosos dizem Namandabu ou até Namanda, mas estas são só versões abreviadas da fórmula original. Recitar Namanda está de completo acordo com a intenção de Shinran. Ele não estava dirigindo olhar a nenhuma imagem, mas à Terra Pura, uma região invisível, infinita e ilimitada, em oposição à esfera do pensamento racional e científico."
(Hiroyuki Itsuki, Tariki)
Yuienbô, discípulo de Shinran, compilou alguns de seus ensinamentos no Tratado de Lamentação das Heresias (jap. Tannishô), um
"Devido à importância do Buddha Amitabha no buddhismo Terra Pura, muita gente parece achar que se trata de uma religião que adora o Buddha como um deus e que o Buddha é uma espécie de representação visual dele — uma imagem, uma pintura, algo modelado na figura de um ser humano. Mas, se olharmos para a verdadeira essência dos ensinamentos de Shinran, veremos que a imagem do Buddha é meramente um meio de assistir a fé.
À parte os poucos escolhidos que se envolvem numa prática religiosa especial, ou encontram a fé após sofrer algum tipo de despertar espiritual, é difícil para a maioria das pessoas apreender a realidade de seres invisíveis como deuses ou buddhas. É difícil para nós assimilá-los no nível emocional. E então, estátuas e pinturas dos buddhas tornaram-se objetos de veneração. Contaram-se todos os tipos de histórias buddhistas. Mas nada disso expressa necessariamente a essência da religião. A estátua ou pintura do Buddha, pousada com dignidade no templo, é uma nau para levar pessoas sofredoras à distante margem da paz e da tranqüilidade, uma lanterna para levar luz a um lugar escuro. Tais ícones são encarados como seres benéficos, estendendo a mão para nós, confusos, perdidos, tomando-nos pelas mãos e levando-nos na direção certa. É por isso que unimos nossas mãos em prece, curvamos a cabeça e agradecemos diante dessas imagens.
Mas esse não é o nosso objetivo. A verdadeira realidade concebida por Shinran, o lugar para onde todos serão finalmente conduzidos, era a Terra Pura, acima de todas as imagens. A Verdadeira Escola da Terra Pura, fundada por Shinran e depois popularizada por Rennyo, chamava a esse objeto primário da fé e da veneração do myôgo (nome). Esse nome era constituído de seis, oito ou às vezes dez caracteres chineses escritos num pedaço de papel, e este era venerado. A maioria desses myogo consistia dos caracteres Namu Amida Butsu ou “Encontro refúgio no Buddha Amitabha”.
O que significa venerar essas palavras escritas, e que relação elas têm com nosso próprio sofrimento? O Buddha de Shinran era o conceito Namu Amida Butsu, e essa idéia não é como um Buddha concreto que pode ser visto com os olhos. A Terra Pura é, como a própria fé, invisível. Um mundo em uma escala infinita. É tempo eterno — algo que transcendeu todos os conceitos de tempo. É isso que Shinran expressava com as palavras Amida Butsu. Namu significa “refugiar-se em”. Refugiar-se em alguma coisa quer dizer ajoelhar-se diante dela, abaixar a cabeça, entregar-se a ela completamente e fazer o voto de unir-se a ela. Rennyo desenvolveu o nenbutsu de Shinran, de refugiar-se no Buddha, em um nenbutsu que era uma expressão de alegria e gratidão por encontrar o Buddha, e foi essa forma que se popularizou. […]
Em vez de recitar Namu Amida Butsu ou Namo Amida Butsu, enunciando claramente cada sílaba, muitos japoneses idosos dizem Namandabu ou até Namanda, mas estas são só versões abreviadas da fórmula original. Recitar Namanda está de completo acordo com a intenção de Shinran. Ele não estava dirigindo olhar a nenhuma imagem, mas à Terra Pura, uma região invisível, infinita e ilimitada, em oposição à esfera do pensamento racional e científico."
(Hiroyuki Itsuki, Tariki)
Yuienbô, discípulo de Shinran, compilou alguns de seus ensinamentos no Tratado de Lamentação das Heresias (jap. Tannishô), um
comentário sobre as divergências quanto aos ensinamentos dados por Shinran Shônin. A obra apresenta o voto original (jap. hongan) de Amitabha, relacionando-o à mente confiante (jap. shinjin) e à recitação do nome de Buddha (jap. nenbutsu), apresentado como o caminho único e desimpedido para a iluminação. Segundo Shinran, o nenbutsu vem do outro poder e está além do próprio poder; confiar ou não no nenbutusu torna-se uma decisão de cada um.
"O Tannishô é o texto sagrado em que se registra com exatidão o percurso da mente de Shinran Shônin, um religioso extraordinário que durante os noventa anos de sua existência buscou somente a verdade que perpassa a vida e a morte. A maior parte do que foi registrado nesta obra parece referir-se ao último período da vida do Shônin, talvez após os seus oitenta anos de idade. No cotidiano, em conversa franca e informal com seus jovens discípulos, podemos sentir a vibração de Shinran Shônin como pessoa. Por um lado, diante das perguntas dos discípulos vindos de Kanto, atual região de Tôkyô para visitá-lo, ele expressa suas convicções em um tom severo, como numa luta real; por outro lado, às vezes, qual luz da primavera que acolhe tudo com seu calor, ele abraça a aflição dos discípulos abrindo uma nova visão da mente. Ele também recorre a paradoxos sutis, derrubando a estrutura ilusória do senso comum, conduzindo-os ao mundo da verdade religiosa. Este livro revela que Shinran Shônin continua vivo no coração das pessoas. O texto do Tannishô não menciona seu autor. Mesmo na cópia mais antiga existente, de Rennyo Shônin (1415-1499), não há referência ao nome do autor, que, talvez, nunca tenha sido registrado no texto. Apesar disso, supõe-se que Yuien-bo, um discípulo direto de Shinran Shônin que morava em Kawada, atual cidade de Mito da província de Ibaragi, na província de Hitachi, nordeste de Tôkyô, tenha sido o autor desse texto."
(Da introdução de Jitsuen Kakehashi em Tannishô)
"Quando confiamos que o voto inconcebível de Amitabha nos salva e assegura o nascimento na Terra Pura, surge em nosso coração o desejo de recitar o nenbutsu. Nesse mesmo momento, recebemos a dádiva de termos sido abraçados, protegidos e nunca mais abandonados. Precisamos nos conscientizar de que o voto original de Amitabha não faz distinção entre jovens e velhos, bons e maus. Só a mente confiante é essencial. Isso significa que o voto tem por fim salvar aqueles a quem afligem profundos males kármicos e intensas paixões maléficas. Assim, ao confiarmos no voto original, não dependemos de outras práticas virtuosas porque não há bem superior ao nenbutsu, nem precisamos temer o mal, pois não há mal capaz de impedir o voto original de Amitabha. […]
Se até uma pessoa boa consegue nascer na Terra Pura, muito mais o poderá uma pessoa má. Entretanto, costuma-se dizer, “Se até uma pessoa má consegue nascer na Terra Pura, muito mais o poderá uma pessoa boa”. Normalmente, essa afirmação soa razoável, e no entanto, contraria a intenção do voto original do outro poder porque quem pratica o bem com o seu poder próprio não confia só no outro poder, não corresponde ao voto original de Amitabha. Contudo, é quando a intenção de próprio poder se converte na confiança ao outro poder que se consegue nascer na verdadeira Terra da Recompensa. Amitabha fez o seu voto por compaixão a nós que, dominados por paixões maléficas, somos incapazes de nos libertar do samsara através de qualquer prática que realizemos. A intenção que gerou o voto é conduzir essas pessoas más à condição de buddha. A confiança no outro poder por parte de uma pessoa má é a causa verdadeira do nascimento na Terra Pura. Por isso as palavras, “Se até uma pessoa boa consegue nascer na Terra Pura, muito mais o poderá uma pessoa má.” "
(Tannishô)
"Shinran Shônin dizia: “Não existe nenhum mal capaz de ultrapassar a promessa de Buddha [Amitabha] de salvar todos os seres.” Pensamos que se fizermos algo mau seremos punidos, ou que nossas bênçãos dependem da quantidade de oferendas que fazemos. Mas isso são apenas idéias mesquinhas do cérebro humano. É claro que Buddha não pod
"O Tannishô é o texto sagrado em que se registra com exatidão o percurso da mente de Shinran Shônin, um religioso extraordinário que durante os noventa anos de sua existência buscou somente a verdade que perpassa a vida e a morte. A maior parte do que foi registrado nesta obra parece referir-se ao último período da vida do Shônin, talvez após os seus oitenta anos de idade. No cotidiano, em conversa franca e informal com seus jovens discípulos, podemos sentir a vibração de Shinran Shônin como pessoa. Por um lado, diante das perguntas dos discípulos vindos de Kanto, atual região de Tôkyô para visitá-lo, ele expressa suas convicções em um tom severo, como numa luta real; por outro lado, às vezes, qual luz da primavera que acolhe tudo com seu calor, ele abraça a aflição dos discípulos abrindo uma nova visão da mente. Ele também recorre a paradoxos sutis, derrubando a estrutura ilusória do senso comum, conduzindo-os ao mundo da verdade religiosa. Este livro revela que Shinran Shônin continua vivo no coração das pessoas. O texto do Tannishô não menciona seu autor. Mesmo na cópia mais antiga existente, de Rennyo Shônin (1415-1499), não há referência ao nome do autor, que, talvez, nunca tenha sido registrado no texto. Apesar disso, supõe-se que Yuien-bo, um discípulo direto de Shinran Shônin que morava em Kawada, atual cidade de Mito da província de Ibaragi, na província de Hitachi, nordeste de Tôkyô, tenha sido o autor desse texto."
(Da introdução de Jitsuen Kakehashi em Tannishô)
"Quando confiamos que o voto inconcebível de Amitabha nos salva e assegura o nascimento na Terra Pura, surge em nosso coração o desejo de recitar o nenbutsu. Nesse mesmo momento, recebemos a dádiva de termos sido abraçados, protegidos e nunca mais abandonados. Precisamos nos conscientizar de que o voto original de Amitabha não faz distinção entre jovens e velhos, bons e maus. Só a mente confiante é essencial. Isso significa que o voto tem por fim salvar aqueles a quem afligem profundos males kármicos e intensas paixões maléficas. Assim, ao confiarmos no voto original, não dependemos de outras práticas virtuosas porque não há bem superior ao nenbutsu, nem precisamos temer o mal, pois não há mal capaz de impedir o voto original de Amitabha. […]
Se até uma pessoa boa consegue nascer na Terra Pura, muito mais o poderá uma pessoa má. Entretanto, costuma-se dizer, “Se até uma pessoa má consegue nascer na Terra Pura, muito mais o poderá uma pessoa boa”. Normalmente, essa afirmação soa razoável, e no entanto, contraria a intenção do voto original do outro poder porque quem pratica o bem com o seu poder próprio não confia só no outro poder, não corresponde ao voto original de Amitabha. Contudo, é quando a intenção de próprio poder se converte na confiança ao outro poder que se consegue nascer na verdadeira Terra da Recompensa. Amitabha fez o seu voto por compaixão a nós que, dominados por paixões maléficas, somos incapazes de nos libertar do samsara através de qualquer prática que realizemos. A intenção que gerou o voto é conduzir essas pessoas más à condição de buddha. A confiança no outro poder por parte de uma pessoa má é a causa verdadeira do nascimento na Terra Pura. Por isso as palavras, “Se até uma pessoa boa consegue nascer na Terra Pura, muito mais o poderá uma pessoa má.” "
(Tannishô)
"Shinran Shônin dizia: “Não existe nenhum mal capaz de ultrapassar a promessa de Buddha [Amitabha] de salvar todos os seres.” Pensamos que se fizermos algo mau seremos punidos, ou que nossas bênçãos dependem da quantidade de oferendas que fazemos. Mas isso são apenas idéias mesquinhas do cérebro humano. É claro que Buddha não pod
e ser medido por nossas curtas inteligências. Se fosse assim, o que seria o Buddha?"
(Shundo Aoyama Rôshi, Para Uma Pessoa Bonita)
Fontes: tinyurl.com/rosboeu
tinyurl.com/ryq2bxr
(Shundo Aoyama Rôshi, Para Uma Pessoa Bonita)
Fontes: tinyurl.com/rosboeu
tinyurl.com/ryq2bxr
Sobre Budismo
A Escola da Terra Pura (parte 1) - Sobre Budismo
A escola Shin, ou Verdadeira Escola da Terra Pura (jap. Jôdo Shinshû), surgiu no Japão a partir dos ensinamentos de Shinran Shônin (ou Kenshin Daishi, 1173-1262), embora ele não tivesse fundado oficialmente uma escola. Shinran tinha uma grande admiração pelo…
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 87
Assunto: Budismo Tibetano
Parte: 87
Assunto: Budismo Tibetano
O budismo tibetano, também chamado de budismo vajrayana ou lamaísmo, emprega práticas de meditação na forma de elaborados rituais, com leitura de Saddhanas (textos litúrgicos), visualizações e instrumentos musicais. Possui uma forte tradição nas artes, com elaboradas pinturas e esculturas, e também em ordens monásticas, com ênfase no relacionamento entre alunos e lamas.
Pertence a uma vertente do budismo chamada maaiana, mais precisamente, a vertente Vajrayana (tantrismo ou "Veículo do Diamante"), e apesar de não se organizar como uma instituição, tem sua representação maior na figura do Dalai Lama.
As principais escolas são Nyingma, Kagyu, Gelug (escola de que faz parte o Dalai Lama) e Sakya.
O termo "lamaísmo" provém do tibetano Lama, que significa "mestre" ou "superior", e que designa, geralmente, os monges tibetanos, em especial os hierarquicamente superiores.
Esta denominação foi dada ao budismo tibetano pelos estudiosos europeus, principalmente, que se utilizaram deste termo para distingui-lo do budismo indiano e permitir que fosse dada ênfase ao seu caráter místico. Segundo alguns outros autores, contudo, tal emprego da palavra é impróprio, pois tem a intenção de estabelecer distinções entre as duas correntes que, na verdade, não existem.
O Lamaísmo apresenta um duplo aspecto, assim como a maior parte das religiões orientais: o doutrinal e o popular.
A doutrina lamaica", que se distingue da tradição Teravada (também chamada de "Doutrina dos Anciões"), tem como base filosófica a manutenção e o desenvolvimento da tradição do Mahaiana (Mahayana, "grande veículo") que não tem um caráter de pura magia. Entretanto, o culto popular, em função da influência da religião Bön, mais antiga e nativa, apresenta várias divindades e uma conotação acentuadamente mágica.
Essa doutrina, em síntese, é bem menos conhecida que suas manifestações populares. Em razão disso, alguns estudiosos erroneamente exageram em seu aspecto mágico, estendendo-o também à prática monástica.
Pertence a uma vertente do budismo chamada maaiana, mais precisamente, a vertente Vajrayana (tantrismo ou "Veículo do Diamante"), e apesar de não se organizar como uma instituição, tem sua representação maior na figura do Dalai Lama.
As principais escolas são Nyingma, Kagyu, Gelug (escola de que faz parte o Dalai Lama) e Sakya.
O termo "lamaísmo" provém do tibetano Lama, que significa "mestre" ou "superior", e que designa, geralmente, os monges tibetanos, em especial os hierarquicamente superiores.
Esta denominação foi dada ao budismo tibetano pelos estudiosos europeus, principalmente, que se utilizaram deste termo para distingui-lo do budismo indiano e permitir que fosse dada ênfase ao seu caráter místico. Segundo alguns outros autores, contudo, tal emprego da palavra é impróprio, pois tem a intenção de estabelecer distinções entre as duas correntes que, na verdade, não existem.
O Lamaísmo apresenta um duplo aspecto, assim como a maior parte das religiões orientais: o doutrinal e o popular.
A doutrina lamaica", que se distingue da tradição Teravada (também chamada de "Doutrina dos Anciões"), tem como base filosófica a manutenção e o desenvolvimento da tradição do Mahaiana (Mahayana, "grande veículo") que não tem um caráter de pura magia. Entretanto, o culto popular, em função da influência da religião Bön, mais antiga e nativa, apresenta várias divindades e uma conotação acentuadamente mágica.
Essa doutrina, em síntese, é bem menos conhecida que suas manifestações populares. Em razão disso, alguns estudiosos erroneamente exageram em seu aspecto mágico, estendendo-o também à prática monástica.
História
Império do Tibete - (século VII - IX d.C)
O budismo foi introduzido ao Tibete durante sua a existência do Império do Tibete (século VII à IX). Escrituras budistas em sânscrito originárias da Índia foram traduzidas para o tibetano sob o reinado do rei tibetano Songtsän Gampo (618-649). Durante o reinado de Trisong Detsen (755-797), o budismo foi estabelecido como religião oficial de estado. Trisong Detsen convidou mestres indianos para sua corte, incluindo Padmasambhāva e Santaraksita (725–788), que fundaram a linhagem Nyingma, sendo esta a mais antiga escola de Budismo Tibetano.
Império do Tibete - (século VII - IX d.C)
O budismo foi introduzido ao Tibete durante sua a existência do Império do Tibete (século VII à IX). Escrituras budistas em sânscrito originárias da Índia foram traduzidas para o tibetano sob o reinado do rei tibetano Songtsän Gampo (618-649). Durante o reinado de Trisong Detsen (755-797), o budismo foi estabelecido como religião oficial de estado. Trisong Detsen convidou mestres indianos para sua corte, incluindo Padmasambhāva e Santaraksita (725–788), que fundaram a linhagem Nyingma, sendo esta a mais antiga escola de Budismo Tibetano.
Período de fragmentação (século IX - X)
Uma mudança na crescente influência budista se deu durante o reinado de Langdarma (836-842), e sua morte deu origem à intitulada Era de Fragmentação, período da história tibetana que a centralização política do Império do Tibete se colapsou.
Fonte: tinyurl.com/y9s2mfnq
Uma mudança na crescente influência budista se deu durante o reinado de Langdarma (836-842), e sua morte deu origem à intitulada Era de Fragmentação, período da história tibetana que a centralização política do Império do Tibete se colapsou.
Fonte: tinyurl.com/y9s2mfnq
Wikipedia
Budismo tibetano
O budismo tibetano , também chamado de budismo vajrayana ou lamaísmo , emprega práticas de meditação na forma de elaborados rituais, com leitura de Saddhanas (textos litúrgicos), visualizações e instrumentos musicais. Possui uma forte tradição nas artes,…
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 87
Assunto: Taoismo
Parte: 87
Assunto: Taoismo
O Taoismo, também chamado Daoismo e Tauismo, é uma tradição filosófica e religiosa originária do Leste Asiático que enfatiza a vida em harmonia com o Tao (romanizado atualmente como "Dao"). O termo chinês "Tao" significa "caminho", "via" ou "princípio", e também pode ser encontrado em outras filosofias e religiões chinesas. No taoismo, especificamente, o termo designa a fonte, a dinâmica e a força motriz por trás de tudo que existe.
É, basicamente, indefinível: "O Tao do qual se pode discorrer não é o eterno Tao." A principal obra do taoismo é o Tao Te Ching, um livro conciso e ambíguo que contém os ensinamentos atribuídos a Lao Zi (chinês: 老子, pinyin: Lǎozi, Wade-Giles: Lao Tzu). Juntamente com os escritos de Zhuangzi, estes textos formam os alicerces filosóficos dessa religião. Este taoismo filosófico, individualista por natureza, não foi institucionalizado.
Ao longo do tempo, no entanto, foram sendo criadas formas institucionalizadas do taoismo na forma de diferentes escolas que, frequentemente, misturaram crenças e práticas que antecediam até mesmo os textos-chave do taoismo - como, por exemplo, as teorias da Escola dos Naturalistas, que sintetizaram conceitos como o do yin-yang e o dos cinco elementos. As escolas taoistas tradicionalmente reverenciam Lao Zi e os "imortais" ou "ancestrais" e possuem diversos rituais de adivinhação e exorcismo, além de práticas que visam a atingir o êxtase e obter maior longevidade ou mesmo a imortalidade.
As tradições e éticas taoistas variam de acordo com a escola, porém, no geral, enfatizam a serenidade, a não ação (wu-wei), o vazio, a moderação dos desejos, a simplicidade, a espontaneidade, a contemplação da natureza e os Três Tesouros: compaixão, moderação e humildade.
O taoismo teve uma influência profunda na cultura chinesa no decorrer dos séculos. Os clérigos do taoismo institucionalizado (chinês: 道士, pinyin: dàoshi), geralmente, tomam cuidado para deixar clara a distinção entre suas tradições rituais e os costumes e práticas encontrados na religião popular chinesa, uma vez que estas distinções podem ser facilmente pouco perceptíveis. A alquimia chinesa (especialmente neidan), a astrologia chinesa, o zen-budismo, diversas artes marciais, a medicina tradicional chinesa, o feng shui e diversos estilos de qiqong têm suas histórias entrelaçadas com a do taoismo. Além da China em si, o taoismo teve grande influência nas sociedades do leste da Ásia.
Após Lao Zi e Zhuangzi, a literatura do taoismo cresceu com regularidade e passou a ser compilada na forma de um cânone, o Daozang, que, por vezes, era publicado a mando do Imperador da China. Ao longo da história chinesa, o taoismo foi, por diversas vezes, decretado a religião do Estado. Após o século XVII, no entanto, ele perdeu muito de sua popularidade. Tal como todas as outras atividades religiosas, o taoismo foi reprimido nas primeiras décadas da República Popular da China e até mesmo perseguido durante a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung; continuou, no entanto, a ser praticado livremente em Taiwan. Hoje em dia, é uma das cinco religiões reconhecidas pela República Popular da China e, embora não costume ser compreendida com facilidade longe de suas raízes asiáticas, tem seguidores em diversas sociedades ao redor do mundo.
É, basicamente, indefinível: "O Tao do qual se pode discorrer não é o eterno Tao." A principal obra do taoismo é o Tao Te Ching, um livro conciso e ambíguo que contém os ensinamentos atribuídos a Lao Zi (chinês: 老子, pinyin: Lǎozi, Wade-Giles: Lao Tzu). Juntamente com os escritos de Zhuangzi, estes textos formam os alicerces filosóficos dessa religião. Este taoismo filosófico, individualista por natureza, não foi institucionalizado.
Ao longo do tempo, no entanto, foram sendo criadas formas institucionalizadas do taoismo na forma de diferentes escolas que, frequentemente, misturaram crenças e práticas que antecediam até mesmo os textos-chave do taoismo - como, por exemplo, as teorias da Escola dos Naturalistas, que sintetizaram conceitos como o do yin-yang e o dos cinco elementos. As escolas taoistas tradicionalmente reverenciam Lao Zi e os "imortais" ou "ancestrais" e possuem diversos rituais de adivinhação e exorcismo, além de práticas que visam a atingir o êxtase e obter maior longevidade ou mesmo a imortalidade.
As tradições e éticas taoistas variam de acordo com a escola, porém, no geral, enfatizam a serenidade, a não ação (wu-wei), o vazio, a moderação dos desejos, a simplicidade, a espontaneidade, a contemplação da natureza e os Três Tesouros: compaixão, moderação e humildade.
O taoismo teve uma influência profunda na cultura chinesa no decorrer dos séculos. Os clérigos do taoismo institucionalizado (chinês: 道士, pinyin: dàoshi), geralmente, tomam cuidado para deixar clara a distinção entre suas tradições rituais e os costumes e práticas encontrados na religião popular chinesa, uma vez que estas distinções podem ser facilmente pouco perceptíveis. A alquimia chinesa (especialmente neidan), a astrologia chinesa, o zen-budismo, diversas artes marciais, a medicina tradicional chinesa, o feng shui e diversos estilos de qiqong têm suas histórias entrelaçadas com a do taoismo. Além da China em si, o taoismo teve grande influência nas sociedades do leste da Ásia.
Após Lao Zi e Zhuangzi, a literatura do taoismo cresceu com regularidade e passou a ser compilada na forma de um cânone, o Daozang, que, por vezes, era publicado a mando do Imperador da China. Ao longo da história chinesa, o taoismo foi, por diversas vezes, decretado a religião do Estado. Após o século XVII, no entanto, ele perdeu muito de sua popularidade. Tal como todas as outras atividades religiosas, o taoismo foi reprimido nas primeiras décadas da República Popular da China e até mesmo perseguido durante a Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung; continuou, no entanto, a ser praticado livremente em Taiwan. Hoje em dia, é uma das cinco religiões reconhecidas pela República Popular da China e, embora não costume ser compreendida com facilidade longe de suas raízes asiáticas, tem seguidores em diversas sociedades ao redor do mundo.
Categorização
Há um debate sobre como, e se, o taoismo deve ser classificado. Lívia Kohn dividiu-o em três categorias:
Taoismo filosófico (Chinês:道家; pinyin: dàojiā; Wade-Giles: tao-chia) - A escola filosófica baseada nos textos Dao De Jing (道德 经) e Zhuangzi (庄子);
Taoismo religioso (chinês: 道教; pinyin: dàojiào; Wade-Giles: tao-chiao) - Uma família de movimentos religiosos organizados da China, oriundos do movimento Mestres Celestiais durante o final da Dinastia Han e, mais tarde, incluindo as seitas "ortodoxa" (Zhengyi; 正 一) e a "Realidade Completa" (Quanzhen, 全 眞), que reivindicam linhagens descendentes de Laozi (老子) ou Daoling Zhang no final da dinastia Han;
Taoismo tradicional - A religião tradicional chinesa. Manifestações da tradição religiosa chinesa, de caráter popular, integram elementos do taoismo religioso, do confucionismo e do budismo.
Esta distinção é complicada pelas dificuldades hermenêuticas (interpretações) na categorização das escolas taoistas, seitas e movimentos. Alguns estudiosos acreditam que não há distinção entre daojia e daojiao. De acordo com Kirkland, "a maioria dos estudiosos que tem estudado o taoismo a sério, tanto na Ásia quanto no Ocidente, finalmente abandonou a dicotomia simplista de tao-chia (taoismo filosófico) e tao-chiao (taoismo religioso)".
Hansen afirma que a identificação de "taoismo", como tal, ocorreu pela primeira vez no início da Dinastia Han, quando dao-jia foi identificado como uma única escola. Os escritos de Laozi e Zhuangzi foram unidos sob esta tradição única durante a Dinastia Han, mas, notavelmente, não antes desta. É improvável que Zhuangzi fosse familiarizado com o texto Daodejing (Tao-te-ching). Além disso, Graham afirma que Zhuangzi não teria se identificado como um taoista, uma classificação que não surgiu até bem depois de sua morte.
O taoismo não cai estritamente sob uma definição de uma religião organizada, como as tradições abraâmicas, nem pode puramente ser estudado como o autor ou uma variante da religião tradicional chinesa, tanto que a religião tradicional está fora dos princípios e ensinamentos nucleares do taoismo. Robinet afirma que o taoismo pode ser melhor entendido como um modo de vida do que como uma religião, e que seus adeptos não se aproximam ou veem o taoismo da mesma maneira não taoista com que os historiadores o têm feito. Henri Maspero observou que muitos trabalhos acadêmicos enquadram o taoismo como uma escola de pensamento focado na busca pela imortalidade.
Há um debate sobre como, e se, o taoismo deve ser classificado. Lívia Kohn dividiu-o em três categorias:
Taoismo filosófico (Chinês:道家; pinyin: dàojiā; Wade-Giles: tao-chia) - A escola filosófica baseada nos textos Dao De Jing (道德 经) e Zhuangzi (庄子);
Taoismo religioso (chinês: 道教; pinyin: dàojiào; Wade-Giles: tao-chiao) - Uma família de movimentos religiosos organizados da China, oriundos do movimento Mestres Celestiais durante o final da Dinastia Han e, mais tarde, incluindo as seitas "ortodoxa" (Zhengyi; 正 一) e a "Realidade Completa" (Quanzhen, 全 眞), que reivindicam linhagens descendentes de Laozi (老子) ou Daoling Zhang no final da dinastia Han;
Taoismo tradicional - A religião tradicional chinesa. Manifestações da tradição religiosa chinesa, de caráter popular, integram elementos do taoismo religioso, do confucionismo e do budismo.
Esta distinção é complicada pelas dificuldades hermenêuticas (interpretações) na categorização das escolas taoistas, seitas e movimentos. Alguns estudiosos acreditam que não há distinção entre daojia e daojiao. De acordo com Kirkland, "a maioria dos estudiosos que tem estudado o taoismo a sério, tanto na Ásia quanto no Ocidente, finalmente abandonou a dicotomia simplista de tao-chia (taoismo filosófico) e tao-chiao (taoismo religioso)".
Hansen afirma que a identificação de "taoismo", como tal, ocorreu pela primeira vez no início da Dinastia Han, quando dao-jia foi identificado como uma única escola. Os escritos de Laozi e Zhuangzi foram unidos sob esta tradição única durante a Dinastia Han, mas, notavelmente, não antes desta. É improvável que Zhuangzi fosse familiarizado com o texto Daodejing (Tao-te-ching). Além disso, Graham afirma que Zhuangzi não teria se identificado como um taoista, uma classificação que não surgiu até bem depois de sua morte.
O taoismo não cai estritamente sob uma definição de uma religião organizada, como as tradições abraâmicas, nem pode puramente ser estudado como o autor ou uma variante da religião tradicional chinesa, tanto que a religião tradicional está fora dos princípios e ensinamentos nucleares do taoismo. Robinet afirma que o taoismo pode ser melhor entendido como um modo de vida do que como uma religião, e que seus adeptos não se aproximam ou veem o taoismo da mesma maneira não taoista com que os historiadores o têm feito. Henri Maspero observou que muitos trabalhos acadêmicos enquadram o taoismo como uma escola de pensamento focado na busca pela imortalidade.
História
Tradicionalmente, o taoismo é atribuído a três fontes principais:
A mais antiga, o mítico "Imperador Amarelo", que teria vivido entre 2697 a.C. e 2597 a.C;
A mais famosa, o livro de aforismos místicos 'Tao Te Ching' (Dao De Jing), supostamente escrito por Laozi (Lao Tse), que, segundo a tradição, foi um contemporâneo mais velho de Confúcio (551 a.C.-479 a.C.);
Os trabalhos do filósofo Zhuangzi (Chuang-Tsé) (369 a.C.-286 a.C.)
Outros livros ampliaram o taoismo, como o Tratado do Vazio Perfeito, de Liezi; e a compilação 'Huainanzi'. Além destes, o antigo 'I Ching', "O Livro Das Mutações", é tido como uma fonte extra do taoismo, assim como práticas de adivinhação da China antiga.
Algumas formas de taoismo podem ser rastreadas até as religiões tradicionais na China pré-histórica, que, mais tarde, se uniram em uma tradição taoista. Laozi é tradicionalmente considerado como o fundador do taoismo e está intimamente associado, nesse contexto, com o taoismo "original" ou "primordial". Laozi recebeu o reconhecimento imperial como uma divindade, em meados da século II a.C.. O taoismo ganhou status oficial na China durante a Dinastia Tang, cujos imperadores alegaram que Laozi era seu parente. Vários imperadores Song, mais notavelmente Huizong, estavam ativos na promoção do taoismo, coletando textos taoistas e edições publicadas do Daozang. Aspectos do confucionismo, taoismo e do budismo foram sintetizados conscientemente na escola neoconfucionista, que, eventualmente, se tornou a ortodoxia imperial para os fins burocráticos do Estado.
A Dinastia Qing, no entanto, muito favoreceu clássicos confucionistas e rejeitou os trabalhos taoistas. Durante o século XVIII, a biblioteca imperial foi construída, mas excluiu praticamente todos os livros taoistas. No início do século XX, o taoismo tinha caído tanto, que apenas uma cópia completa do Daozang ainda permanecia, no Mosteiro Nuvem Branca, em Pequim. Atualmente, o taoismo é uma das cinco religiões reconhecidas pela República Popular da China, que regula suas atividades através de uma estatal burocrática (a Associação Taoista da China).
Tradicionalmente, o taoismo é atribuído a três fontes principais:
A mais antiga, o mítico "Imperador Amarelo", que teria vivido entre 2697 a.C. e 2597 a.C;
A mais famosa, o livro de aforismos místicos 'Tao Te Ching' (Dao De Jing), supostamente escrito por Laozi (Lao Tse), que, segundo a tradição, foi um contemporâneo mais velho de Confúcio (551 a.C.-479 a.C.);
Os trabalhos do filósofo Zhuangzi (Chuang-Tsé) (369 a.C.-286 a.C.)
Outros livros ampliaram o taoismo, como o Tratado do Vazio Perfeito, de Liezi; e a compilação 'Huainanzi'. Além destes, o antigo 'I Ching', "O Livro Das Mutações", é tido como uma fonte extra do taoismo, assim como práticas de adivinhação da China antiga.
Algumas formas de taoismo podem ser rastreadas até as religiões tradicionais na China pré-histórica, que, mais tarde, se uniram em uma tradição taoista. Laozi é tradicionalmente considerado como o fundador do taoismo e está intimamente associado, nesse contexto, com o taoismo "original" ou "primordial". Laozi recebeu o reconhecimento imperial como uma divindade, em meados da século II a.C.. O taoismo ganhou status oficial na China durante a Dinastia Tang, cujos imperadores alegaram que Laozi era seu parente. Vários imperadores Song, mais notavelmente Huizong, estavam ativos na promoção do taoismo, coletando textos taoistas e edições publicadas do Daozang. Aspectos do confucionismo, taoismo e do budismo foram sintetizados conscientemente na escola neoconfucionista, que, eventualmente, se tornou a ortodoxia imperial para os fins burocráticos do Estado.
A Dinastia Qing, no entanto, muito favoreceu clássicos confucionistas e rejeitou os trabalhos taoistas. Durante o século XVIII, a biblioteca imperial foi construída, mas excluiu praticamente todos os livros taoistas. No início do século XX, o taoismo tinha caído tanto, que apenas uma cópia completa do Daozang ainda permanecia, no Mosteiro Nuvem Branca, em Pequim. Atualmente, o taoismo é uma das cinco religiões reconhecidas pela República Popular da China, que regula suas atividades através de uma estatal burocrática (a Associação Taoista da China).
O tao do taoismo
O ideograma tao (ou dao) (道) pode ser traduzido como "via" ou "caminho", mas assume um significado mais abstrato para a religião e para a filosofia chinesa. É o que há de mais profundo e misterioso na realidade e que faz com que tudo seja como é. É o conjunto indiferenciado de tudo o que existe, mas também o princípio supremo que gera e está na origem do seu "devir", ou seja, é também o seu "caminhar". Embora seja invisível, inaudível e intangível, manifesta‑se pela sua influência, a que se chama "virtude" — o te (德, dé). Mas essa influência é espontânea, ou seja, faz parte da sua própria natureza, do seu próprio fluir natural. Como se diz no Tao Te King: o tao "age sem agir" (為無為, wu wei).
Um tema no pensamento chinês primitivo é 'tian-dao' ou "caminho da natureza" (tian, também traduzido como "céu" e, às vezes, "Deus"). Corresponde aproximadamente à ordem das coisas de acordo com a lei natural. Tanto o "caminho da natureza" quanto o "grande caminho" inspiram o afastamento estereotípico taoista das doutrinas morais e normativas. Assim, pensado como o processo pelo qual cada coisa se torna o que ela é (a "mãe de todas as coisas"), parece difícil imaginar que temos que escolher entre quaisquer valores de seu conteúdo normativo - portanto pode ser visto como um princípio eficiente de "vazio" que sustenta confiavelmente o funcionamento do universo.
O ideograma tao (ou dao) (道) pode ser traduzido como "via" ou "caminho", mas assume um significado mais abstrato para a religião e para a filosofia chinesa. É o que há de mais profundo e misterioso na realidade e que faz com que tudo seja como é. É o conjunto indiferenciado de tudo o que existe, mas também o princípio supremo que gera e está na origem do seu "devir", ou seja, é também o seu "caminhar". Embora seja invisível, inaudível e intangível, manifesta‑se pela sua influência, a que se chama "virtude" — o te (德, dé). Mas essa influência é espontânea, ou seja, faz parte da sua própria natureza, do seu próprio fluir natural. Como se diz no Tao Te King: o tao "age sem agir" (為無為, wu wei).
Um tema no pensamento chinês primitivo é 'tian-dao' ou "caminho da natureza" (tian, também traduzido como "céu" e, às vezes, "Deus"). Corresponde aproximadamente à ordem das coisas de acordo com a lei natural. Tanto o "caminho da natureza" quanto o "grande caminho" inspiram o afastamento estereotípico taoista das doutrinas morais e normativas. Assim, pensado como o processo pelo qual cada coisa se torna o que ela é (a "mãe de todas as coisas"), parece difícil imaginar que temos que escolher entre quaisquer valores de seu conteúdo normativo - portanto pode ser visto como um princípio eficiente de "vazio" que sustenta confiavelmente o funcionamento do universo.
Filosofia taoista
Do "caminho", surge "um" (aquele que está consciente), de cuja consciência, por sua vez, surge o conceito de "dois" (yin e yang), dos quais o número "três" está implícito (céu, terra e humanidade); produzindo, finalmente, por extensão, a totalidade do mundo como o conhecemos, "as 10 000 coisas", através da harmonia do 'wu xíng'. O caminho, enquanto passa pelos cinco elementos do 'wu xíng', é também visto como circular, agindo sobre si mesmo através da mudança para simular um ciclo de vida e morte nas 10 000 coisas do universo fenomênico.
Aja de acordo com a natureza e com sutileza, em lugar de força.
A perspectiva correta será encontrada pela atividade mental da pessoa, até chegar a uma fonte mais profunda que guie sua interação pessoal com o universo. O desejo obstrui a habilidade pessoal de entender o caminho, moderar o desejo gera contentamento. Os taoistas acreditam que, quando um desejo é satisfeito, outro, mais ambicioso, brota para substituí-lo. Em essência, a maioria dos taoistas sente que a vida deve ser apreciada como ela é, em lugar de forçá-la a ser o que não é. Idealmente, não se deve desejar nada, "nem mesmo não desejar".
Unidade: ao perceber que todas as coisas (inclusive nós mesmos) são interdependentes e constantemente redefinidas pela mudança das circunstâncias, passamos a ver todas as coisas como elas são e a nós mesmos como apenas uma parte do momento presente. Essa compreensão da unidade nos leva a uma apreciação dos fatos da vida e do nosso lugar neles como simples momentos miraculosos que "apenas são".
Dualismo: a oposição e combinação dos dois princípios básicos - 'yin' e 'yang' - do universo é uma grande parte da filosofia básica. Algumas das associações comuns com 'yang' e 'yin', respectivamente, são: masculino e feminino, luz e sombra, ativo e passivo, movimento e quietude. Os taoistas acreditam que nenhum dos dois é mais importante ou melhor que o outro. Na verdade, nenhum pode existir sem o outro, porque eles são aspectos equiparados do todo. São, em última análise, uma distinção artificial baseada em nossa percepção das 10 000 coisas, portanto é só nossa percepção delas que realmente muda.
Do "caminho", surge "um" (aquele que está consciente), de cuja consciência, por sua vez, surge o conceito de "dois" (yin e yang), dos quais o número "três" está implícito (céu, terra e humanidade); produzindo, finalmente, por extensão, a totalidade do mundo como o conhecemos, "as 10 000 coisas", através da harmonia do 'wu xíng'. O caminho, enquanto passa pelos cinco elementos do 'wu xíng', é também visto como circular, agindo sobre si mesmo através da mudança para simular um ciclo de vida e morte nas 10 000 coisas do universo fenomênico.
Aja de acordo com a natureza e com sutileza, em lugar de força.
A perspectiva correta será encontrada pela atividade mental da pessoa, até chegar a uma fonte mais profunda que guie sua interação pessoal com o universo. O desejo obstrui a habilidade pessoal de entender o caminho, moderar o desejo gera contentamento. Os taoistas acreditam que, quando um desejo é satisfeito, outro, mais ambicioso, brota para substituí-lo. Em essência, a maioria dos taoistas sente que a vida deve ser apreciada como ela é, em lugar de forçá-la a ser o que não é. Idealmente, não se deve desejar nada, "nem mesmo não desejar".
Unidade: ao perceber que todas as coisas (inclusive nós mesmos) são interdependentes e constantemente redefinidas pela mudança das circunstâncias, passamos a ver todas as coisas como elas são e a nós mesmos como apenas uma parte do momento presente. Essa compreensão da unidade nos leva a uma apreciação dos fatos da vida e do nosso lugar neles como simples momentos miraculosos que "apenas são".
Dualismo: a oposição e combinação dos dois princípios básicos - 'yin' e 'yang' - do universo é uma grande parte da filosofia básica. Algumas das associações comuns com 'yang' e 'yin', respectivamente, são: masculino e feminino, luz e sombra, ativo e passivo, movimento e quietude. Os taoistas acreditam que nenhum dos dois é mais importante ou melhor que o outro. Na verdade, nenhum pode existir sem o outro, porque eles são aspectos equiparados do todo. São, em última análise, uma distinção artificial baseada em nossa percepção das 10 000 coisas, portanto é só nossa percepção delas que realmente muda.
'Wu wei'
Muito da essência do tao está na arte do 'wu wei' ("agir pelo não agir"). No entanto, isso não significa "espere sentado que o mundo caia no seu colo". Essa filosofia descreve uma prática de se realizarem coisas através da ação mínima. Pelo estudo da natureza da vida, você pode influenciar o mundo do modo mais fácil e menos disruptivo (usando a sutileza em vez da força). A prática de seguir a corrente em vez de ir contra ela é uma ilustração: uma pessoa progride muito mais não por lutar e se debater contra a água, mas permanecendo quieta e deixando o trabalho nas mãos da correnteza.
O 'wu wei' funciona a partir do momento em que confiamos no nosso 'design' humano, que é perfeitamente ajustado para nosso lugar na natureza. Em outras palavras, confiando na nossa natureza em vez de na nossa racionalidade, nós podemos encontrar contentamento sem uma vida de luta constante contra forças reais e imaginárias.
Muito da essência do tao está na arte do 'wu wei' ("agir pelo não agir"). No entanto, isso não significa "espere sentado que o mundo caia no seu colo". Essa filosofia descreve uma prática de se realizarem coisas através da ação mínima. Pelo estudo da natureza da vida, você pode influenciar o mundo do modo mais fácil e menos disruptivo (usando a sutileza em vez da força). A prática de seguir a corrente em vez de ir contra ela é uma ilustração: uma pessoa progride muito mais não por lutar e se debater contra a água, mas permanecendo quieta e deixando o trabalho nas mãos da correnteza.
O 'wu wei' funciona a partir do momento em que confiamos no nosso 'design' humano, que é perfeitamente ajustado para nosso lugar na natureza. Em outras palavras, confiando na nossa natureza em vez de na nossa racionalidade, nós podemos encontrar contentamento sem uma vida de luta constante contra forças reais e imaginárias.
Textos
Tao Te Ching
O Tao Te Ching (道德經), ou Dao De Jing, é amplamente considerado como o mais influente texto taoista. É uma escritura de fundação de importância central no taoismo, supostamente escrita por Laozi entre 350 e 250 a.C. No entanto, a data exata em que foi escrito é ainda objeto de debate: há aqueles que a colocam em qualquer lugar entre os séculos VI a.C. e III d.C. Ele tem sido usado como um texto ritual ao longo da história do taoismo religioso.
Os comentadores taoistas ponderaram profundamente nos primeiros versos do Tao Te Ching. Eles são amplamente discutidos, tanto na literatura acadêmica quanto na mais popular. Uma interpretação comum é semelhante à observação de Korzybski de que "o mapa não é o território". As linhas de abertura, com a tradução literal e a comum, são:
道 可 道, 非常 道.
"O caminho que pode ser descrito não é o verdadeiro caminho."
(O tao (caminho ou o caminho) pode ser dito, não da forma usual.)
名 可 名, 非常 名.
"O nome que pode ser nomeado não é o nome constante."
(Os nomes podem ser citados, os nomes não usuais.)
'Tao', literalmente, significa "caminho" ou "o caminho" e pode significar figuradamente "natureza essencial", "destino", "princípio", ou "caminho verdadeiro". O filosófico e religioso tao é infinito, sem qualquer limitação. Um ponto de vista afirma que a abertura paradoxal destina-se a preparar o leitor para os ensinamentos sobre o tao não ensinável. Acredita-se que o tao é transcendente, indistinto e sem forma. Por isso, não pode ser nomeado ou categorizado. Mesmo a palavra "tao" pode ser considerada uma perigosa tentação de fazer do tao um nome limitador.
O Tao Te Ching não é tematicamente ordenado. No entanto, os principais temas do texto são repetidamente expressos em formulações variantes, muitas vezes com apenas uma pequena diferença entre elas. Os temas principais giram em torno da natureza do tao e como alcançá-lo. O tao é dito ser inominável e capaz de realizar grandes coisas através de meios pequenos. Há um debate importante sobre qual tradução do Tao Te Ching é a melhor. Discussões e disputas sobre várias traduções do Tao Te Ching podem tornar-se amargas, envolvendo visões profundamente arraigadas.
Os comentários antigos sobre o Tao Te Ching são textos importantes por direito próprio. O comentário 'Heshang Gong' foi, provavelmente, escrito no século II d.C. e é, talvez, o mais antigo comentário. Ele contém a edição do Tao Te Ching que foi transmitida até os dias atuais. Outros comentários importantes incluem o Xiang'er, um dos textos mais importantes do 'Caminho do Mestre Celestial' e o 'Wang Bi'.
Tao Te Ching
O Tao Te Ching (道德經), ou Dao De Jing, é amplamente considerado como o mais influente texto taoista. É uma escritura de fundação de importância central no taoismo, supostamente escrita por Laozi entre 350 e 250 a.C. No entanto, a data exata em que foi escrito é ainda objeto de debate: há aqueles que a colocam em qualquer lugar entre os séculos VI a.C. e III d.C. Ele tem sido usado como um texto ritual ao longo da história do taoismo religioso.
Os comentadores taoistas ponderaram profundamente nos primeiros versos do Tao Te Ching. Eles são amplamente discutidos, tanto na literatura acadêmica quanto na mais popular. Uma interpretação comum é semelhante à observação de Korzybski de que "o mapa não é o território". As linhas de abertura, com a tradução literal e a comum, são:
道 可 道, 非常 道.
"O caminho que pode ser descrito não é o verdadeiro caminho."
(O tao (caminho ou o caminho) pode ser dito, não da forma usual.)
名 可 名, 非常 名.
"O nome que pode ser nomeado não é o nome constante."
(Os nomes podem ser citados, os nomes não usuais.)
'Tao', literalmente, significa "caminho" ou "o caminho" e pode significar figuradamente "natureza essencial", "destino", "princípio", ou "caminho verdadeiro". O filosófico e religioso tao é infinito, sem qualquer limitação. Um ponto de vista afirma que a abertura paradoxal destina-se a preparar o leitor para os ensinamentos sobre o tao não ensinável. Acredita-se que o tao é transcendente, indistinto e sem forma. Por isso, não pode ser nomeado ou categorizado. Mesmo a palavra "tao" pode ser considerada uma perigosa tentação de fazer do tao um nome limitador.
O Tao Te Ching não é tematicamente ordenado. No entanto, os principais temas do texto são repetidamente expressos em formulações variantes, muitas vezes com apenas uma pequena diferença entre elas. Os temas principais giram em torno da natureza do tao e como alcançá-lo. O tao é dito ser inominável e capaz de realizar grandes coisas através de meios pequenos. Há um debate importante sobre qual tradução do Tao Te Ching é a melhor. Discussões e disputas sobre várias traduções do Tao Te Ching podem tornar-se amargas, envolvendo visões profundamente arraigadas.
Os comentários antigos sobre o Tao Te Ching são textos importantes por direito próprio. O comentário 'Heshang Gong' foi, provavelmente, escrito no século II d.C. e é, talvez, o mais antigo comentário. Ele contém a edição do Tao Te Ching que foi transmitida até os dias atuais. Outros comentários importantes incluem o Xiang'er, um dos textos mais importantes do 'Caminho do Mestre Celestial' e o 'Wang Bi'.
Zhuangzi
O Zhuangzi (庄子) é, tradicionalmente, atribuído a um sábio taoista de mesmo nome, mas isso foi recentemente contestado no meio acadêmico ocidental. Zhuangzi também aparece como um personagem na narrativa do livro. O Zhuangzi contém prosa, poesia, humor e disputa. O livro é, frequentemente, visto como complexo e paradoxal quanto aos argumentos e temas de discussão, que não são aqueles comuns à filosofia clássica ocidental, como a doutrina do nome de retificação (zhengming) e fazer distinções "isso/não presente" (shi/fei ). Entre o elenco de personagens das histórias do Zhuangzi, está Laozi, o autor do Tao Te Ching, bem como Confúcio.
O Zhuangzi (庄子) é, tradicionalmente, atribuído a um sábio taoista de mesmo nome, mas isso foi recentemente contestado no meio acadêmico ocidental. Zhuangzi também aparece como um personagem na narrativa do livro. O Zhuangzi contém prosa, poesia, humor e disputa. O livro é, frequentemente, visto como complexo e paradoxal quanto aos argumentos e temas de discussão, que não são aqueles comuns à filosofia clássica ocidental, como a doutrina do nome de retificação (zhengming) e fazer distinções "isso/não presente" (shi/fei ). Entre o elenco de personagens das histórias do Zhuangzi, está Laozi, o autor do Tao Te Ching, bem como Confúcio.
Daozang
O Daozang (道 藏,Tesouro dos Tao) é, por vezes, referido como o cânon taoista. Foi, originalmente, compilado durante as dinastias Jin, Tang e Song. A versão publicada sobreviveu durante a dinastia Ming. O 'Ming Daozang' inclui quase 1 500 textos. Seguindo o exemplo do budista Tripitaka, é dividido em três dong (洞, "cavernas", "grutas"). Eles estão organizados do mais alto para o mais baixo:
O 'Zhen' ("real" ou "verdade" - 眞): Inclui o Shangqing.
A 'Xuan' ("mistério"- 玄): Inclui o Lingbao.
O 'Shen' ("divino" - 神): Inclui textos anteriores a Maoshan (茅山).
Daoshi geralmente não consultam versões publicadas do Daozang, mas escolhem individualmente, ou herdam, os textos incluídos no Daozang. Estes textos foram passados por gerações de professor para aluno.
A escola Shangqing tem uma tradição de se aproximar do taoismo através do estudo das escrituras. Acredita-se que, recitando alguns textos muitas vezes, se será recompensado com a imortalidade.
O Daozang (道 藏,Tesouro dos Tao) é, por vezes, referido como o cânon taoista. Foi, originalmente, compilado durante as dinastias Jin, Tang e Song. A versão publicada sobreviveu durante a dinastia Ming. O 'Ming Daozang' inclui quase 1 500 textos. Seguindo o exemplo do budista Tripitaka, é dividido em três dong (洞, "cavernas", "grutas"). Eles estão organizados do mais alto para o mais baixo:
O 'Zhen' ("real" ou "verdade" - 眞): Inclui o Shangqing.
A 'Xuan' ("mistério"- 玄): Inclui o Lingbao.
O 'Shen' ("divino" - 神): Inclui textos anteriores a Maoshan (茅山).
Daoshi geralmente não consultam versões publicadas do Daozang, mas escolhem individualmente, ou herdam, os textos incluídos no Daozang. Estes textos foram passados por gerações de professor para aluno.
A escola Shangqing tem uma tradição de se aproximar do taoismo através do estudo das escrituras. Acredita-se que, recitando alguns textos muitas vezes, se será recompensado com a imortalidade.
Outros textos
Enquanto o Tao Te Ching é o mais conhecido, há muitos outros textos importantes no taoismo tradicional. 'Taishang Ganying Pian' ("Tratado do Abençoado na Resposta e Retribuição") discute pecado e ética e tornou-se uma referência de moralidade popular nos últimos séculos. Afirma que aqueles em harmonia com o tao vão viver longas e frutíferas vidas. Que os ímpios e seus descendentes vão sofrer e ter encurtadas vidas. Tanto a 'Taiping Jing' ("Escritura de Grande Paz") e o 'Baopuzi' ("Livro do Mestre que Conserva a Simplicidade") contêm fórmulas alquímicas taoistas que se acreditavam poder conduzir à imortalidade.
Além disso, o Huainanzi é uma compilação da escrita de oito acadêmicos da dinastia Han que combina taoismo, confucionismo e os conceitos legalistas, incluindo as teorias, tais como yin-yang e cinco fases. O patrono Liu An (c. 180-122 a.C.) foi governador do estado de Huainan e neto do fundador da dinastia Han. O discurso em sua corte, favoreceu o pensamento taoista e trouxe filósofos, poetas e mestres de práticas esotéricas para a sua corte. Isso resultou no Huainanzi.
Enquanto o Tao Te Ching é o mais conhecido, há muitos outros textos importantes no taoismo tradicional. 'Taishang Ganying Pian' ("Tratado do Abençoado na Resposta e Retribuição") discute pecado e ética e tornou-se uma referência de moralidade popular nos últimos séculos. Afirma que aqueles em harmonia com o tao vão viver longas e frutíferas vidas. Que os ímpios e seus descendentes vão sofrer e ter encurtadas vidas. Tanto a 'Taiping Jing' ("Escritura de Grande Paz") e o 'Baopuzi' ("Livro do Mestre que Conserva a Simplicidade") contêm fórmulas alquímicas taoistas que se acreditavam poder conduzir à imortalidade.
Além disso, o Huainanzi é uma compilação da escrita de oito acadêmicos da dinastia Han que combina taoismo, confucionismo e os conceitos legalistas, incluindo as teorias, tais como yin-yang e cinco fases. O patrono Liu An (c. 180-122 a.C.) foi governador do estado de Huainan e neto do fundador da dinastia Han. O discurso em sua corte, favoreceu o pensamento taoista e trouxe filósofos, poetas e mestres de práticas esotéricas para a sua corte. Isso resultou no Huainanzi.