《Sense Atividade》
196 subscribers
464 photos
32 videos
16 files
177 links
Espiritualidade, atendimentos em cartomancia, esoterismo, astrologia, mediunidade, quântica, filosofia de vida e etc.

Nascido em 27 de janeiro de 2017.

Postagens por:
Vanessa
Maria T
Filipe Albani

Parceiros do Sense: @ParceirosDoSenseAtividade
Download Telegram
Cargos (kijingu)

Na hierarquia do candomblé de angola, os cargos de maior importância e responsabilidade são:

Taata/Maama diá Nkisi - Sacerdote/Sacerdotisa chefe; pai/mãe de santo.

Taata/Maama Ndenge - Pai/Mãe Pequeno(a)

Kambondo: Todos os homens não rodantes confirmados.

Makota: Todas mulheres não rodantes confirmadas.

Koota Maganza - rodantes com mais de sete anos de iniciação.

Maganza - Todos os rodantes iniciados, com mais de 3 anos.

Muzenza - Iniciados com menos de 3 anos.

Ndumbe - Pessoas não iniciadas.
Além desses, existem vários outros cargos.

Fonte: http://bit.ly/2KUA7ku
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 60
Assunto: Candomblé de Caboclo
Candomblé de Caboclo é todo candomblé que além do culto aos orixás, voduns ou nkisis, cultua também espíritos ameríndios chamados de entidades, catiços ou caboclos boiadeiros e gentileiros. Inicialmente na Bahia os Candomblés não tradicionais, eram na maioria caboclos, que é um misto de Keto, Jeje e Angola.
Peculiaridade

O caboclo exerce um papel fundamental no relacionamento da comunidade afro brasileira, pois fala o idioma português, papel que os orixás só fazem no idioma africano, chamado Yorubá, assim conquistando a popularidade dos crentes, que não entendem ou falam a língua dos orixás. São encarregados de trazer mensagens dos seus ancestrais, principalmente de entes queridos desencarnados há pouco tempo, aconselham os desesperados, indicando sempre um novo caminho, indicam banhos de folha sagrada e pequenas oferendas para resoluções dos seus problemas.
Oferendas de caboclo

As oferendas de caboclo são fartas e variadas, constituídas de uma grande variedade de frutas, legumes, raízes e até mesmo doces. Um elemento indispensável é a abóbora girimum, que é recheada com fumo de rolo e mel de abelha, oferenda de galos, carneiros, peru e qualquer pássaro, são bem vindos e apreciados. A jurema é a bebida sagrada, considerada o néctar dos deuses e disputada não só pelas entidades, mas por todos os presentes.

Além dos caboclos, incorporam com espíritos que se denominam Exu (masculino) e pombagira (feminino), mas não é o Exu Orixá do Candomblé, são bem diferentes, são denominados Exu de Umbanda.

O exu catiço ou Exu de Umbanda, como é chamado o Exu não Orixá, pombagiras e afins não pertencem ao Candomblé de casas tradicionais. O que existe são zeladores (Babalorixás) que tiveram passagem pelo Candomblé de Caboclo ou pela Umbanda e depois se iniciaram no Candomblé e trouxeram consigo algumas entidades da Umbanda, mas o fato não as torna do Candomblé, pois essas entidades estão em casas de Candomblé de Caboclo, porém são Guias da Umbanda.

No Candomblé de Caboclo as entidades recebem nomes um pouco diferente da Umbanda. Além dos caboclos de pena, que usam penachos como os da Umbanda, há outros que normalmente usam um chapéu de couro, os boiadeiros.
Alguns caboclos

Sultão das Matas

Eiru ou Eru

Gentileiro

Jubiabá

Boiadeiro Laje Grande

Boiadeiro Laje Branca

Pena Branca

Pena Verde

Tupiaçu

Guarani

Raizeiro

Mata Cerrada

Marujo

Tibiriça

Tupinambá

Tupiniquim

Sete flechas

Sete Serras

Sete Pedreiras

Sete montanhas

Serra Negra

Pedra Preta 

Jurema 

Iara 

Dona Rosa

Mariana

Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Candomblé_de_caboclo
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 61
Assunto: Catimbó
O termo "Catimbó" , nas línguas Tupi e Guarani, significa respectivamente "fumaça de mato" e "vapor de erva".

Atualmente, a expressão "Catimbó" é um dos nomes que identificam um conjunto específico de atividades cultuais e mágico-religiosas, além de aspectos míticos, cosmológicos e teológicos originários dos nativos da Região Nordeste do Brasil - elementos que compõem o que alguns pesquisadores consideram ser uma das mais antigas religiões brasileiras: o também chamado "Catimbó-Jurema", "Jurema", "Jurema Sagrada" e "Culto aos Senhores Mestres".
Alguns dos primeiros cronistas e aventureiros europeus que passaram pelo Brasil, tomaram nota de diversos costumes e práticas indígenas, tanto entre os nativos do litoral (Tupi) quanto entre os do interior (genericamente chamados "Tapuia"). Entre os índios do Nordeste, observaram o já citado uso da fumaça de Tabaco para diversos fins; tomaram nota do "beber jurema" e dos atualmente chamados "transes mediúnicos" (em que seres espirituais se manifestavam através de pajés), da evocação de espíritos, etc. Fica claro que houve, anterior ao século XVI, entre os nativos do Nordeste brasileiro, um contato íntimo, transcendente e trans pessoal, com a Natureza e suas energias - contato que resultou em uma série de concepções, "ciências", crenças e vivências que de certa forma foram herdadas pelo Catimbó-Jurema contemporâneo.
Deixemos claro que não há um modelo, padrão ou forma exclusiva de se vivenciar o Catimbó. Existem verdadeiras famílias, linhagens que preenchem a Tradição, todas com elementos comuns que as interconectam, mas com características próprias que as tornam singulares. As famílias mais antigas, logicamente, são os grupos indígenas que, malgrado o violento processo colonizador que alcançou o Nordeste a partir do século XVI, resistiram às catequeses e mantiveram seus "cultos à Jurema", mesmo com influxos europeus e africanos mais ou menos presentes em seus rituais.
Desde o século XVI ocorreram fusões entre rituais e crenças indígenas e católicas. As famílias do sertão praticavam seus cultos com a preparação de mesas com santos, crucifixos e velas, possivelmente em baixo de arvores frondosas que pertenciam aos terrenos (terreiros) da caatinga, assim como perante grandes rochas outrora consideradas sagradas. Entre os séculos XVI e XVII surgiram as primeiras expressões do que pode ser considerado um proto-catimbó: as "Santidades" - manifestações híbridas católico-indígenas de espiritualidade. Os catimbós do sertão, por sua vez, são marcados por forte presença de elementos católicos (ao que parece, no território do Rio Grande do Norte, devido a inexistência de um porto para a chegada de escravos africanos durante o período colonial e à consequentemente pequena presença de negros - se comparado ao Recife e à Bahia - os catimbós mais antigos agregaram pajelança, catolicismo popular, bruxaria e feitiçaria ibérica, assim como alguns poucos traços de cabala judaica e Quimbanda).
Em outras regiões do Nordeste, em que a presença africana durante o período colonial foi muito relevante, vemos surgir famílias de juremeiros nas quais elementos africanos se destacam em suas práticas, formas de cultuar as entidades, imaginário, cosmologias e teologias. Os conhecimentos indígenas se agregaram, fundiram, à "ciência" de origem africana, trazida pelos negros que foram escravizados. Africanos de distintas nações se identificaram com o Catimbó por ser essa uma religião que cultua e dialoga com a Natureza, assim como Orixás e Voduns africanos também estão ligados à Natureza.
Por último, é importante destacar que o Catimbó, ao contrário do que muitos acreditam, não é um adendo ou apêndice da Umbanda, do Candomblé, do Santo Daime ou de qualquer outra Tradição espiritualista, mágica ou religiosa. Embora possa existir em paralelo e em íntima comunhão com outros cultos e religiões, o Catimbó é uma Tradição independente, que possui dogmas, preceitos, princípios e liturgias próprios.
A Jurema (Mimosa hostilis), nativa do agreste e sertão nordestinos, é um arbusto Fabáceo, do qual se fabrica uma série de ban
hos, defumadores e bebidas que na Tradição recebem o mesmo nome da planta. Essas bebidas, geralmente comungadas nos rituais, também conhecidas como Vinho da Jurema, são preparadas de maneira reservada pelos juremeiros que as consideram sagradas. A ingestão da Jurema, em conjunto com os toques, as cantigas rituais do catimbó, é capaz de provocar um estado de transeprofundo, interpretado pelos Catimbozeiros como a incorporação dos Mestres da Jurema - quando uma entidade espiritual atua através dos veículos físicos e emocionais do adepto - assim como a visita aos Reinos, Cidades e Aldeias dos mundos espirituais da Jurema Sagrada (quando o adepto, expandindo sua consciência, alcança o estado de enteogenia e passa a comungar da Natureza Íntima, transcendental, do Mistério da Jurema).
Estas entidades espirituais, que habitariam o Mundo Encantado ou Juremá, teriam sido adeptos do Catimbó que, ao morrerem, se "encantaram", ou seja, foram transportados a este estamento espiritual, de onde poderiam atender aos vivos pela realização de curas e aconselhamento, desde que para tal fossem requeridos através da incorporação ou evocação de suas Forças.
Etimologia

A origem do termo catimbó é controversa, embora a maior parte dos pesquisadores afirme que deriva da língua tupi antiga, onde caa significa floresta e timbórefere-se a uma espécie de torpor que se assemelha à morte. Desta forma, catimbó seria a floresta que conduz ao torpor, numa clara referência ao estado de transe ocasionado pela ingestão do vinho da jurema, em sua diversidade de ervas. Outras teorias, porém, relacionam o vocábulo com a expressão cat, fogo, e imbó, árvore, neste mesmo idioma. Assim, fogo na árvore ou árvore que queima relataria a sensação de queimor momentâneo que o consumo da Jurema ocasiona. Em diversos estados do nordeste brasileiro, onde os rituais de catimbó são associados unicamente à prática de magia negra, a palavra ganha um significado pejorativo, podendo englobar qualquer atividade mágica realizada no intuito de prejudicar outrem. Na verdade o culto a Jurema Sagrada tem como princípio básico a AJUDA a todos que pedem e merecem tal ajuda, ACONSELHAMENTO e CURA.
Terminologia

O termo catimbozeiro é usado para designar os adeptos do catimbó, embora, ofensivamente, também possa referir-se a qualquer praticante de magia negra, Candomblé ou Quimbanda. O vocábulo Juremeiro, também pode, embora erroneamente, referir-se aos praticantes de catimbó; entretanto, em linhas gerais, o tratamento é destinado ao indivíduo que, além do culto a Jurema, é devoto dos orixás do panteão africano, integrando, assim, a nação Xambá ou Xangô. Ademais, diversos credos distintos fazem uso dos efeitos enteógenos da Jurema, embora nenhum deles possa, de fato, ser considerados Catimbó.
Origem do culto

O culto à árvore da Jurema remonta a tempos imemoriais, anteriores, inclusive à colonização portuguesa na América. A altura, diversas tribos indígenas da atual Região Nordeste do Brasil, reverenciavam a Jurema por suas propriedades psicoativas, inserido-a em diversos ritos de comunicação com as divindades de seu panteãoatravés do transe, alguns dos quais ainda preservados pelas comunidades da região. O Toré, uma forma específica de culto à Jurema, é, por vezes a única forma de identificação cultural remanescente entre os ameríndios do Nordeste.
Esta variedade de cultos, entretanto, foi severamente reduzida por ocasião do contato europeu, de forma que a tradição da Jurema sagrada teve de ser adaptada aos preceitos católicos, devido à forte repressão colona aos cultos considerados pagãos. Assim, o vasto panteão aborígene foi gradualmente suprimido, sendo adotado, nos rituais da população cabocla, as mesmas deidades do catolicismo tradicional. O culto aos antepassados, porém, por sua grande influência, foi mantido e, ademais, adaptado à realidade dos Mestres da Jurema.
Entidades espirituais

O Catimbó, assim como a maior parte das religiões xamânicas, é considerado um culto de transe, no qual as entidades, conhecidas como Mestres, se utilizariam o corpo do Catimbozeiro e, momentaneamente, tomariam todos os domínios básicos do organismo. Semelhante ao que ocorre na Umbanda, onde os espíritos se organizam em direita e esquerda conforme a natureza positiva ou negativa que possuam, mas trabalhando de acordo com a vontade do médium, os Mestres são relativamente neutros, podendo operar tanto boas quanto más ações. Tais Mestres seriam figuras ilustres do Catimbó, que, quando vivos, teriam realizado diversos atos de caridade por intermédio do uso de ervas e propriedades xamânicas, de modo que por ventura de sua morte, teriam sido transportados a uma das Cidades místicas do Juremá, localizada nas imediações de um arbusto de Jurema plantado pelo Mestre anteriormente a seu falecimento.
Caboclos da Jurema

Subordinados aos mestres, encontram-se as entidades conhecidas como Caboclos da Jurema. Esta forma de espírito ancestral, representa os pajés e guerreiros indígenas falecidos, envidados ao Mundo Encantado de forma a auxiliarem os Mestres na realização de boas obras. Os Caboclos são sempre invocados no início do culto, antes mesmo da incorporação seus superiores. Estes seres espirituais, seriam os responsáveis pela prescrição de ervas medicinais, banhos e rezas que afastariam o mau-olhado e o infortúnio.
Estrutura do Juremá

O universo espiritual do catimbó não segue o mesmo padrão estamental do catolicismo (de onde se origina as crenças de céu, inferno e purgatório) . O Juremá, é a cidade onde habitariam os Mestres da Jurema e seus subordinados. Segundo a crença, o Juremá seria composto de uma profusão de aldeias, cidades e estados, os quais trariam um organização hierárquica, envolvendo todas as entidades Catimbozeiras, tais como caboclos da jurema e encantados, sob o comando de um ou até três Mestres.

“Cada aldeia tem 3 Mestres. Doze aldeias fazem um estado com 36 Mestres. No Estado ha cidades, serras, florestas, rios. Quantos são os estados? 7 segundo uns: Vajucá, Tigre, Cadindé, Urubá, Juremal, Fundo do Mar e Josafá. Ou cinco ensinam outros: Vajucá, Juremal, Tanema, Urubá e Josafá.”

Fonte: https://pt.m.wikipedia.org/wiki/Catimbó
◇ RELIGIÕES NA TERRA ◇
Parte: 62
Assunto: Pajelança
Pajelança – O Xamanismo Brasileiro


É provável que a palavra Pajé venha da raiz pa-y = profeta, adivinho, curador, sacerdote, xamã. O termo pajelança é aplicado nas manifestações xamânicas dos índios brasileiros. Pode ser divido em pajelança indígena (rituais indígenas) e pajelança cabocla, que são praticas religiosas (não indígenas) mais comuns no Norte e Nordeste brasileiro.

Há anos atrás, o amigo Walter Vetillo foi a Belém fazer uma reportagem para a Revista Planeta, cobrindo o VI Congresso Brasileiro de Parapsicologia e Psicotrônica onde se realizou um Encontro de Pajés. Parte da matéria transcrevo abaixo :
Afinal…quem são os pajés ?
 
Existe muito pouca coisa publicada no Brasil sobre este fascinante assunto. Uma contribuição preciosa foi o depoimento do estudioso dos mistérios amazonenses, Antonio Jorge Thor. Thor comenta o xamanismo e a pajelança :

” Um aspecto curioso deste assunto é que nos Estados Unidos, quando se fala em xamanismo, muitas linhagens dos xamãs são mulheres. No Brasil não; aqui pajé é sempre somente do sexo masculino – primeira geração, que passa de pai para filho. Para ser um pajé, o candidato deve ser um paranormal e médium ao mesmo tempo. Ou seja, deve ter muitas força mental (paranormalidade) e a mediunidade, que mexe com a bioenergética, com as partículas biocósmicas (provocam a expansão da consciência fora da matéria, o espírito por exemplo), enfim aquela coisa da espiritualidade.

Entre as diversas tribos, como os Kraôs, caiapós e gaviões, varia muito o conceito de pajelança, mas eles tem alguma coisa em comum: o misticismo , o segredo. Você as vezes passa um longo tempo para conseguir uma informação, um segredo, como por exemplo, sobre um não-alucinógeno para você sair com facilidade do corpo (desdobramento). O pajé penetra na área da encantaria, uma outra vertente da grande magia que pouca gente conhece, que é passar para uma outra dimensão e muitos dele quando retornam dessa experiência, voltam curados. Eu fui iniciado pelas mãos de uma curandeira de terceira geração que foi tratada pelos pajés. Doente, ela passou algum tempo desaparecida e quando retornou, além de curada veio com dons incríveis.

A pajelança é uma forma de magia nativa da Amazônia, tipicamente indutiva, atuando sobre qualquer elemento vivo e mantendo estreita relação com os demais reinos da natureza: mineral, vegetal e animal. É praticada por curandeiros (principalmente pelos pajés da Amazônia), com base no xamanismo indígena .

Pelas suas ações, o xamã tenta estabelecer contato com outras formas de existência através de comunicações com entidades sobrenaturais, procurando restabelecer o equilíbrio perdido entre a natureza e a mente. Esse processo envolve curas, exorcismos, e outros atos com objetivos diversos.

A visão holística da cultura xamanista não pode ser esquecida fornecendo ao pajé um importante elo que o integra ao todo. Nesse sentido Fritjot Capra, em ponto de Mutação, sintetiza: “A característica predominante da concepção xamanista de doença é a crença de que os seres humanos são partes integrantes de um sistema ordenado em que toda a doença é consequência de alguma desarmonia em relação à ordem cósmica. Com grande frequência, a doença também é interpretada como castigo por algum comportamento imoral.

A pajelança autêntica, abrange os pajés reunidos no conceito de “alta pajelança”, cujos segredos são guardados a sete chaves – haja vista não terem interesse em que profanos venham a desfrutar dessas dádivas. Ela se subdivide em duas correntes :

Pajelança de “conta branca” : Atua em favor do bem, curando principalmente doenças físicas e mentais e resolvendo problemas do cotidiano da comunidade.

Pajelança de “conta negra” : Atua em favor do mal. Visa facilitar a vitória na guerra com outras tribos ou a disputa de guerreiros para se tornar líderes. Serve também para matar ou adoecer uma vítima, sendo que em alguns casos é usada para dificílimos trabalhos de cura.

A verdadeira pajelança é restrita a uma minoria que ostenta os segredos e poções mágicas que rejuvenescem, curam, matam, provocam viagens astrais e outras grandes iniciações. Atualmente, existem poucos pajés desse tipo no Brasil. A presença da mulher é vedada.

Já a pajelança paralela (segunda geração) envolve as várias formas de curandeirismo popular – principalmente as rezadeiras e benzedeiras, que trazem no sangue a eugenia nativa, além de estar representadas em alguns rituais da Umbanda.

Finalmente, a pajelança afim (terceira geração) engloba o curandeirismo popular originado da pajelança manter, porém com atuação mais aberta que a anterior. Ao representa influências visíveis de outras magias, seitas, misturando-se a -se a outras culturas folclóric
as e crendices de povos diversos. É a pajelança com maior influência no Brasil, e suas benzedeiras, que utilizam ervas e rezava para tirar o “quebranto” , muitas vezes conseguem imbuir-se de dons que são inerentes aos pajés. Já as rezadeiras, embora sejam incluídas nesse grupo, são originárias do Nordeste, submetendo-se assim a uma influência maior do catolicismo.

A pajelança deve ser usada por quem realmente a domina, manipulando o universo de magias que a constituem. A princípio todos os métodos usados são indutivos, sincronizados a um objeto (instrumento de poder) e resguardado pelos dons natos do pajé. Sua maior finalidade está na força de cura ou no resultado que produz a partir de três fatores básicos :

*1* Força Mental – É um dos instrumentos fundamentais de um pajé. Existe um arquétipo-modelo que fornece meios para a paranormalidade aguçar-se à medida que o pajé passa a usar elementos oriundos da natureza: comer determinadas frutas ou raízes, ingerir certas bebidas sagradas através de fórmulas secretas, etc. Esse complexo aguça a paranormalidade e está associado a outros exercícios como a entonação de mantras.

*2* Sincronia de elementos – Constitui o poder de invocar elementos das diversas dimensões através de cânticos mântricos e imagens. Quando associado à natureza, esta força ostenta a verdadeira fórmula que muitos pajés, bruxos e outros magos guardam a sete chaves. O próprio maracá, quando sacudido cadencialmente, cria uma estrutura energética que permite a abertura para a paranormalidade.

*3* Agentes auxiliares – O auxílio a esses trabalhos provém de seres de diversos planos dimensionais invocados para operar como reforço, com os elementais da natureza, os encantados (seres energéticos de outras dimensões) e outros agentes chamados “tetaianos” ou seja, otimizados pelas comunicações biocósmicas (espíritos de pajés e de outros seres).

Um elemento indispensável na pajelança é o maracá. O maracá de um xamã é recebido ou confeccionado durante a iniciação, sendo, portanto, sagrado para ele. em alguns casos é passado de pai para filho; ou ainda, o “escolhido” é induzido a achá-lo mediante as regras impostas pelo ritual de iniciação..

Outro elemento fundamental é o *tauari* , uma espécie de charuto natural semi-oco que ajuda o pajé a defumar o local ou a pessoa em questão. O charuto, com sua fumaça cheirosa, objetiva imantar o ambiente e criar uma atmosfera toda especial, para facilitar os contatos que o pajé queira fazer.

Se o maracá e o charuto, são importantes para um pajé, pois assumem significados sagrados em suas mãos, existem outros elementos secundários usados ao longo dos trabalhos desenvolvidos.

Mascar certos vegetais ou mesmo cheirá-los, ou até mesmo comer ou beber, também faz parte do ritual de entrada de um xamã. Essa situação varia muito de pajé para pajé, de trabalho para trabalho, dependendo do objetivo visado. O importante é que eles, usando recursos totalmente naturais, provocam os mesmos efeitos de certos enteógenos.

Chás ou pós de ervas, alucinógenos ou não, facilitam as viagens e a comunicação, com entidades de outros planos, bem como aguçam a paranormalidade.

Porções para mascar, feitas com plantas e raizes especiais, desenvolvem a sensibilidade do pajé e facilitam suas viagens, as quais poderão trazer soluções para os casos pendentes.

Cantos nativos produzem vibrações e facilitam contatos com outros pajés, pessoas ou outros seres invocados nos cânticos.

Dentro dessa estrutura a pajelança é associada a rituais de grande beleza e magia, que extasiam a todos que se envolvem no processo de participação, ou mesmo como meros observadores.

Segundo Thor, o perfeito domínio sobre este incrível mundo mágico-natural pode por vezes levar alguns pajés de alta linhagem a alterar suas partículas atômicas, tornar-se invisíveis e deslocar-se no espaço, surgindo em outros lugares. Aqui vale a pena lembrar as experiências relatadas por Castañeda em seus livros, descrevendo casos semelhantes com Dom Juan e D. Genaro.

Geralmente o pajé exerce uma influência muito grande sobre seu povo – sua figura es
tá para a tribo na mesma proporção em que o médico está para a comunidade. Isso faz com que sua importância e destaque assumam uma responsabilidade toda especial sobre os problemas que afligem seu grupo. Por outro lado, como um médico, o pajé segue as normas e obedece as éticas moldadas pela sociedade, e não poderia deixar de assumir um arquétipo blindado para sua tribo. Dificilmente alguma coisa lhe é negada, e ele, com justiça, exerce o poder e goza de fama e do respeito de todos. Os pajés vivem bastante tempo, e os mais poderosos são chamados de *sacaca* por sinal, o mesmo nome de um conhecido vegetal da Amazônia Oriental, detentor de inúmeras utilidades.

Fonte: https://www.xamanismo.com.br/pajelanca/